Quando acordados, em coletivo e em silêncio, nos olhamos, nos conectamos no olhar, sentimos o outro, perdemos a noção dos segundos, se estamos frente a frente com um objetivo, começamos a construir juntos, sem julgar, sem temer, simplesmente acionando outro dispositivo de tempo de criação. É maluco o que podemos fazer em coletivo em silêncio, é absurdo o quanto chronos ganhamos, o quanto tempo ganhamos e o quanto de discussões evitamos.

A pergunta de gestar mais encontros se conecta a esse Kairós, de respeitar o tempo das coisas o tempo não cronológico, de semear um convite de amor, de cuidar pra que esse amor flutue na leveza e se conecte na vulnerabilidade minha e do outro, que faça sentido e que faça sentir, que carregue não só a intenção do convite, mas a intenção do onde ir, e do onde chegar, para que na conversa, no encontro, nos encontremos em si mesmos e no outro, nos corações de cérebros ancestrais e que nesse encontrar e choques de energias e sentimentos consigamos produzir o melhor dos resultados, o amor.

A certeza de que ela sempre vai existir, me força a olhar par ao NÃO MEDO, para um caminho sólido de confiança, que me permita a curiosidade do que irei aprender e experimentar, sustentado pela diversão do cuidado comigo e dos demais.

Não é a primeira mudança, já estou perdendo a conta, deve ser a 21ª ou mais, e nesse olhar de escolhas que me deixam triste (todas elas me deixam assim), lembro que ao escolher me mudar, renuncio a circular em uma cidade, renuncio a proximidade de pessoas queridas que conheci, renuncio a ida a restaurantes e lugares que gostei, renuncio a hábitos que adquiri ou se apresentaram pra mim, como por exemplo o caminho de casa, a padaria do bairro e tantos outros.

Essas possibilidades todas, me permitem mais escolhas, mais movimentos, e como falei no inicio, se a tristeza esta associada a escolha, quanto mais escolhas, mais tristezas se apresentam. É diretamente proporcional, me sinto triste seguidamente pela tarefa que não consegui cumprir (podia não tê-la assumido), pelo telefonema que não dei, pelo retorno que faltou, pelos minutos de atraso, e tantas outras tristezas que se apresentam na arte de escolher.

Hoje é dia 14, NÃO ESCREVI OITO DIAS. Nesses dias não colhi o resultado do bem que me fazem minhas escritas, mas colhi outros resultados, como a alegria da minha esposa no chá do Benjamin, como viagens em segurança, mudanças, conversas com pessoas que queria conversar, e outros tantos resultados de sorrisos e necessidades atendidas de quem muda de uma cidade pra outra.

Sinto falta de alguns hábitos de interior, de chimarrão na porta de casa, de visita a casa de parente. Não sei se sou só eu, o nós perdemos alguns destes hábitos. O retorno a Porto Alegre pode me trazer essas possibilidades de volta, mas vai depender do meu movimento de convidar, de me aproximar e de me acercar desses e por que não de novos círculos.

Percebo que incansavelmente serei incoerente frente a algo ou alguma situação, que a busca da coerência plena é tão maluca quanto a busca pela perfeição. Que sim é possível me manter comunicado e conectado comigo, com o meu interior, é a mínima ou a existencial coerência que me permito, que ESCOLHO.

As lideranças estão mudando, e já não as vejo mais como heróicas, e sim anfitriãs. Lideranças preparadas para ouvir e conectar o que emerge, ao invés de sobrepor controle no que já existe. Dessa forma a liderança perde PODER e ganha INSPIRAÇÃO.