Se posso percebe-la como uma constante, e minha resposta é que sim, sinto que a mudança esta em todo o tempo, na história, na predição de futuro e no tempo presente. Como a minha escolha é viver no presente, me cabe experimentar, aprender, testar, validar e encontrar formas alegres e leves de conviver com a mudança, ao invés de lutar com ela.

São colheitas de um longo trabalho, e que ainda continuarão sendo regadas por outros. Celebro o novo, o incerto e ambíguo do que me espera em Porto Alegre, certo de que seguir comunicando meus passos, certo de que a inovação e as pessoas são o meu caminho, certo de que ESCOLHO VIVER NUM MUNDO DE COLABORAÇÃO onde todos ganham, e cada vez menos no mundo da exploração do ganha - perde.

Pode funcionar, pode ser que não, mas a celebração constante e frequente de cada passo, tem me mostra o quão somos frágeis, e carentes de um olhar apreciativo alheio, e quão bom é quando alguém chega e te retribui seja num audio, num texto simples, por algo que você fez e não percebeu.

Acontece tudo junto, o tempo todo, novas pessoas, novos mundos, novas possibilidades, e sim, sem querer, por desconexão, alguns não entendem, me veem como louco, ou invejam talvez a alegria (e lamento, sinto muito, mas nada posso fazer, cada um com suas perspectivas e escolhas). Nesse olhar que não posso contentar a todos, nem tampouco me fazer entender a todos, prefiro ficar com os sorrisos que me cercam, com as tomadas de consciência daqueles que começam a ver o que vejo, um outro mundo possível, conectado onde todos fazemos o que amamos e amamos o que fazemos.

Nesse clima instável, colocamos narizes de palhaço desafiamos o espelho com sorrisos, voamos sobre aguas geladas vestidos, sob chuva raios e trovões, nos erguemos em clima de festa, nos fantasiamos, rimos, fomos premiados com faixas, recebidos com emoção por tribos que gritavam nosso nome, e em ao cântico de musicas como EVIDÊNCIAS nos emocionamos, dormimos, e ao nascer do sol resolvemos confrontar nossas perspectivas mais duras, repletas de julgamento e justificativas, nos conectamos, nos abraçamos e repetimos uns aos outros, EU SINTO MUITO, EU ME/TE PERDOO, EU TE/ME AMO, MUITOOOOO OBRIGADOOO.

Já guardei sentimentos por muito tempo, escondi o que sentia por vergonha ou por medo do julgamento. E isso me desconectava, me deixava frio, longe e distante das pessoas. Será que não nos conectamos mais desse lugar vulnerável de sentimentos? Fico pensando nos meus movimentos nos últimos 5 anos e percebo que sim, muitas conexões se potencializaram desse lugar, seja na escuta ou na fala.

Quando acordados, em coletivo e em silêncio, nos olhamos, nos conectamos no olhar, sentimos o outro, perdemos a noção dos segundos, se estamos frente a frente com um objetivo, começamos a construir juntos, sem julgar, sem temer, simplesmente acionando outro dispositivo de tempo de criação. É maluco o que podemos fazer em coletivo em silêncio, é absurdo o quanto chronos ganhamos, o quanto tempo ganhamos e o quanto de discussões evitamos.

A pergunta de gestar mais encontros se conecta a esse Kairós, de respeitar o tempo das coisas o tempo não cronológico, de semear um convite de amor, de cuidar pra que esse amor flutue na leveza e se conecte na vulnerabilidade minha e do outro, que faça sentido e que faça sentir, que carregue não só a intenção do convite, mas a intenção do onde ir, e do onde chegar, para que na conversa, no encontro, nos encontremos em si mesmos e no outro, nos corações de cérebros ancestrais e que nesse encontrar e choques de energias e sentimentos consigamos produzir o melhor dos resultados, o amor.

A certeza de que ela sempre vai existir, me força a olhar par ao NÃO MEDO, para um caminho sólido de confiança, que me permita a curiosidade do que irei aprender e experimentar, sustentado pela diversão do cuidado comigo e dos demais.

Não é a primeira mudança, já estou perdendo a conta, deve ser a 21ª ou mais, e nesse olhar de escolhas que me deixam triste (todas elas me deixam assim), lembro que ao escolher me mudar, renuncio a circular em uma cidade, renuncio a proximidade de pessoas queridas que conheci, renuncio a ida a restaurantes e lugares que gostei, renuncio a hábitos que adquiri ou se apresentaram pra mim, como por exemplo o caminho de casa, a padaria do bairro e tantos outros.

Essas possibilidades todas, me permitem mais escolhas, mais movimentos, e como falei no inicio, se a tristeza esta associada a escolha, quanto mais escolhas, mais tristezas se apresentam. É diretamente proporcional, me sinto triste seguidamente pela tarefa que não consegui cumprir (podia não tê-la assumido), pelo telefonema que não dei, pelo retorno que faltou, pelos minutos de atraso, e tantas outras tristezas que se apresentam na arte de escolher.

Hoje é dia 14, NÃO ESCREVI OITO DIAS. Nesses dias não colhi o resultado do bem que me fazem minhas escritas, mas colhi outros resultados, como a alegria da minha esposa no chá do Benjamin, como viagens em segurança, mudanças, conversas com pessoas que queria conversar, e outros tantos resultados de sorrisos e necessidades atendidas de quem muda de uma cidade pra outra.

Sinto falta de alguns hábitos de interior, de chimarrão na porta de casa, de visita a casa de parente. Não sei se sou só eu, o nós perdemos alguns destes hábitos. O retorno a Porto Alegre pode me trazer essas possibilidades de volta, mas vai depender do meu movimento de convidar, de me aproximar e de me acercar desses e por que não de novos círculos.