• Rafael Urquhart

Como é se sentir em divida?

Se sentir devendo algo? Além da visão de dinheiro, o sentimento de desequilíbrio me incomoda. Quero trazer situações distintas.

Alguém te oferece algo, te ajuda, te apoia, e em algum lugar não te sentes equilibrado ou encontrando formas de corresponder. Além do vazio e do desconforto do olhar, fica para mim a sensação finita de que não fui suficiente. Me sentir insuficiente é algo constante, me acompanha por muito tempo, sei a origem, sei que acontece, mas quando essa insuficiência não encontra caminho futuro ela fica pesando, como uma mochila pesada carregada por um tempo.

Talvez outras pessoas se sintam assim comigo, não podendo corresponder a mim, se sentindo em débito comigo. Incrível que não sinto peso ou tristeza com relação a isso, fiz por gostar da pessoa, por querer apoiar o outro sem intenção de receber, de tal forma que não sei quem está em débito comigo hoje se é que alguém se sente assim. Interessante olhar a perspectiva de quem fica com débito nessa conta de desequilíbrio. Pode ser que sim isso incomode e faça falta, ou não, independente disso acredito que a observação esta unicamente no meu sentir, costumo dizer que não sei dever, isso me perturba, gosto de estar em dia. Só que esse gostar implica que eu sempre esteja correndo atras de colocar tudo em dia, sem desfrutar do momento ou da situação.

Ë estranho, devo para o banco, e bastante com juros altos, mas as dividas que mais me incomodam não são essas, são as de correspondência, com aqueles que depositaram tempo em mim. É como se a divida com uma instituição fosse bem menos importante que uma divida com alguém especifico, olho no olho.

Nas minhas observações sobre fluxo, entendi que as relações sistêmicas são mais amplas e extrapolam a relação lateral de quem da e de quem recebe. Na visão linear são N balanços, sendo N o número de pessoas que interagimos, Cada relação um balanço, essa seria a lógica atual. Porém é possível que exista um balanço único por cada individuo que reflete todas suas relações, pode ser que ele esteja em desequilíbrio com alguém, e esse alguém esteja em desequilíbrio com outro, só que sistemicamente esses desequilíbrios zeram, se anulam, pois compenso esse desequilíbrio em algum momento com alguém desequilibrado comigo. É difícil de explicar, por que ainda não é possível ver. Mas sinto que existe algo nesse olhar de fluxo.

Deixo de fazer por que estou devendo, e se não tivesse devendo, estaria fazendo? Será que não estaríamos fazendo mais se anulássemos esse sentimento de divida? Sinto que sim, ainda não tenho as respostas para isso, mas algo me diz que plataformas de reconhecimento, e que busquem a sensação de equilíbrio podem trazer novas perguntas e novas observações, para que o sentimento de divida seja minimizado, não anulado, já que o sentir em divida também nos põe em movimento para equilibrar isso.

Que tal, se esse sentimento de divida nos colocasse em movimentos em outras direções na busca de um equilíbrio sistêmico.

O que acontece quando não interagimos?

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