• Rafael Urquhart

Como as crianças de 5 anos lidam com a complexidade?

Brincando, rindo, experimentando, caindo, levantando e talvez SIMPLIFICANDO.

Lembro que quando minha filha passou por essa idade, diversas vezes me peguei dizendo o que ela podia ou não fazer, e trazendo regras do nosso convívio social pro comportamento dela. Ontem percebi uma diferença entre melhor ou pior.

Quem lembra de uma criança de 5 anos, na fase em que ela começa a experimentar tudo, dedo na tomada pra levar choque, colocar tinta colorida na boca, riscar uma parede, jogar agua na terra e fazer barro, ralar os joelhos e por ai vai.

Não nem se é só os 5 anos, pensei na idade, por ser uma idade em que a criança ainda não sabe LER AS ADVERTÊNCIAS, não tem noção do tempo, ainda não aprendeu as horas, nem os dias, nem os meses, e ainda esta aprendendo onde ela fica acordada, onde ela dorme, e uma série de comportamentos educacionais que afloram.

Escolhi os 5 anos também por que nessa idade, as salas de aulas, são coloridas, repletas de macinha, brinquedos, papel colorido, desenhos artísticos na parede, e qualquer arte (linda ou feia na perspectiva de um pai ou não) é bela, toda arte é linda, todo desenho, caricatura, sonho é bem chegado.

Quer mundo mais complexo, do que para um ser que ainda não tem capacidade de discernir tudo o que criamos como humanidade, mas que com 5 anos mexe em um celular, mais rápido e de forma mais lógica que um adulto.

Dê uma caixa de fósforo a uma criança de 5 anos, e veja o que acontece…claro, sem restrições mas com um cuidado supervisionado para não incendiar a casa.

As crianças vivem o momento, o presentes, não precisam saber o que é e pra que serve, para pegar, experimentar, fazer e descobrir novas habilidades.

Uma criança, tem todo potencial humano aflorado, durante o dia hoje falamos sobre uma teoria (ainda preciso referenciar e alguém me ajuda na sequência), que o ser humano tem 2 selfies permanentes, uma que é a aprendizagem, sua cultura, sua história familiar, sua formação, e tudo que vivenciou potencializando algo que ele aprendeu. A outra selfie é a selfie da criança, do impulso, de fazer qualquer coisa, de conexão, de vontades, de desejos.

As duas conflitam permanentemente em nossas cabeças, como o bom desenho o TICO E O TECO, ou os dois neurônios. Então, quando crianças temos mais o lúdico, a explosão, a alegria de segundos, uma tristeza que não fica marcada, e segue a vida. Na fase adulta, temos o correto e o incorreto, o certo e o errado, o CONTROLE EM TUDO.

No caórdico, não temos controle, temos sim a ordem, de alguém que já viveu uma experiência, e coloca apenas limites, ou um cercado de segurança, para que dentro deste espaço tudo possa ser testado, experimentado, como se fosse um parquinho de criança, onde podemos sentar e se sujar na areia, se dependurar nas barras, comer uma folha de árvore e regar as flores do jardim.

A complexidade, se resolve no caórdico, com a experimentação, com o teste, com a brincadeira, com o lúdico. E isso não vem de nenhuma teoria, vem apenas de observar uma criança de 5 anos interagindo e brincando em um espaço novo.

Como deixar os lugares que passamos, melhores do que encontramos quando chegamos?

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