• Rafael Urquhart

Como estão as pessoas a tua volta?

Aparentemente bem, mas não sei até que ponto.

Essa me pergunta me pega num ponto de superficialidade estabelecida bem incomum. Se pergunto para os meus colegas de trabalho, como estão, a resposta automática de que está tudo bem é rápida, comum e indolor. As vezes emerge um “tá tudo tranquilo”. Será mesmo? Será que estou perguntando o suficientemente interessado?

Fico me sentindo impotente, sem saber realmente como estão os que estão a minha volta. O superficial “tudo bem” não atende o meu questionamento. Será que estão adoecidos? Perdidos?

Os canais e as redes, mostram uma série de fotos, manifestações, que me fazem pensar que esta tudo bem. Vejo alguns mais alterados que outros, na polaridade estabelecida. Será que essa inundação de informação está fazendo bem? O quanto cada um foi afetado.

Do caminho de casa até o trabalho passo por algumas pessoas que estão na ativa, como o porteiro do meu prédio, será que está tudo bem mesmo?

Fico paralisado olhando pra pergunta e para a primeira resposta. “Aparência sistêmica” talvez seja um termo interessante para provocar essa perspectiva. Eu não estou me importando o suficiente para pesquisar o estado de todos que me cercam. Acabo de me cobrar e já não estou tão bem assim.

Será que estamos olhando bem o que esta acontecendo a nossa volta? Não na internet, no nosso entorno próximo, no prédio, na rua, no bairro. Estamos conseguindo olhar pra realidade daqueles próximos a nós? Tenho certeza de que muitos que trabalham diretamente na frente social conseguem ter essa visão mais claro, mas quantos de nós, me incluindo eu, não estamos um pouco cegos para o bem estar, ou ao menos para o estar dos que nos cercam.

Acho que estamos míopes, atordoados o suficientes para não percebermos o entorno. É uma constatação leviana, mas acho que já estávamos assim antes do Vírus, talvez só agora percebendo este distanciamento.

O que acontece quando caímos?

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