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  • Foto do escritorRafael Urquhart

Como ressignificar dores do passado mal interpretadas?

Vivemos em um mundo baseado em culpa, ressentimento e com altas doses de raiva.

Nos magoamos, nos ressentimos e facilmente entramos na posição de vitima apontando o dedo ao outro com apenas a nossa perspectiva. Não que não existam erros, que não existam pessoas do mal, com intenções tortas, elas existem e foram forjadas assim por sua história. A principio todo ser humano nasce voltado para o bem, o tempo e as duras experiências é que vão moldando o padrão das suas ações.

Trago de volta o olhar, para aqueles que estão no bem, que querem fazer o melhor, mesmo entre eles existe o dedo apontado e a culpa estendida. Dentro das famílias isso é comum, julgamos e culpamos nossos pais, sem conhecer todo o contexto da perspectiva deles, e vamos acumulando culpas e ressentimentos.

Ano passado vivi uma experiência talvez extrema, na posição de gestor, muitas vezes temos que tomar a decisão de desligamento de indivíduos, talvez demitir foi das tarefas mais difíceis da minha carreira.

Começamos como gestores dispensando pessoas que não estão desempenhando bem, tiveram suas chances e não performaram (fui treinado para ter esse olhar de que humano é meio máquina, meio recurso, embora hoje não concorde mais com isso). Depois passamos a olhar para indivíduos que são bons e já foram bons em varias situações, mas que na situação atual, podem ser substituídos por outros com habilidades mais encaixadas no desafio atual. Existe ainda o momento dos desligamentos por situações ruins, em que temos que dispensar pessoas que são excelentes, mas não conseguimos mais manter-las.

Quem já viveu estes momentos de demitir o outro sabe o quão duro é, nas primeiras vezes incorporamos o sentimento, mas com o tempo vamos ficando frios, e fazendo o processo como se estivéssemos apenas trocando uma peça. (Falo por mim pois experimentei essa frieza, não gosto dela, mas volta fácil quando mergulho em organizações e me foco no problema).

O que fica oculto muitas vezes é todo o contexto de entorno que envolve a decisão de desligar alguém, muitas vezes é cisma de alguém da equipe, é uma história ou conflito não resolvido, e na grande maioria são situações não conversadas e não resolvidas, sem Feedback algum.

Por que trago esse caso a vista, no ano passado segui a orientação de demitir alguém, existiam N perspectivas já que era um setor conectado com toda empresa, alguns viam o que andava bem, outros só viam o que não andava bem. E é incrível como o que não anda bem se sobrepõe a tudo que anda bem. A decisão veio de cima, foi seguida (não da melhor forma), e passada a um outro colaborador para proceder com a demissão.

A forma, o jeito, a não comunicação, a não existência de fator visível causou traumas neste colaborador. Natural e compreensível, só que além dos traumas, quando algo injusto nos acontece e nos vitimizamos é natural que necessitemos colocar a culpa, ou direcionar nossa raiva em direção de alguém e alguéns. No calor da raiva não temos (falo por mim também) artefatos ou aprendizados suficientes que sustentem por um momento nosso julgamento e busquem olhar para todas perspectivas existentes.

Sim existem varias perspectivas, cada um com a sua sobre a situação, cada um com o seu olhar do que aconteceu. Todos somos humanos, erramos, aprendemos, e magoamos os outros as vezes não por mal, mas pela inconsciência natural do sistema que vivemos.

Nos primeiros meses perseguição, agressões, ataques, natural de quem está com raiva. Mas o tempo passa, a raiva passa ou diminui, e talvez num outro momento em outro contexto possamos reduzir nossa raiva e escutar todas as perspectivas existentes e se perdoar. Afinal o perdão é a solução para vivermos o presente sem magoas do passado.

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