• Rafael Urquhart

Como se manter próximo e interagindo?

Toda vez que me deparo com um “Como?” acabo caindo em uma reflexão profunda de qual a necessidade por traz desse como e por fim chego a uma percepção única, certa ou errada a partir da minha perspectiva.

Em um momento pandêmico, “se manter próximo” e “interagindo” já não são situações tão próximas. Parece que acrescemos uma infinidade de possibilidades ao perceber que podemos interagir sem estar próximo, mesmo que o primeiro não substitua o segundo.

Nessa reflexão profunda preciso resgatar minha história pra ter mais contexto. Quando criança e pré adolescente, me vi em uma classificação a época tida como CDF, confesso que nunca entendi a sigla e busquei hoje, pela primeira vez achei a sua etimologia que pode ser “Cabeça de ferro”. Incrível como nunca me pergunte o por que de “CDF”. Nesse período mais isolado e retraído da minha vida, existiam poucas interações, as que existiam se davam em um grupo menor com outros CDFs. Era como um núcleo confortável de comunicação, troca e objetivo. Sim existia interação e proximidade, mas muito ínfima no campo de possibilidades e descobertas da época.

Passado um tempo algo em mim me colocou em posição de interação, de descoberta, de conversa com todas as pessoas possíveis, amigo das mulheres, comparsa dos que aprontavam, nivelado e próximo aos CDFs, circulava em todos os espaços e diversidade da sala.

Na faculdade isso não mudou, interagia muito com os que não iam bem, fazia parcerias improváveis com os festeiros, conhecia os mais velhos e os mais novos, trabalhar na secretaria do curso me proporcionava a interação com todos, menos que a época eu nao percebesse isso. Organizava viajem onde podia interagir com todos que eram da minha cidade natal e estudavam em Santa Maria. De alguma forma esses mecanismos me mantinham próximo e interagindo.

Veio o trabalho, a função mais de especialista, o isolamento em canteiros 99% compostos por homens, me afastavam dos meios criativos, encontrava com estes outros meios, amigos e públicos nas intermináveis noites de sexta e sábado, já menos próximo, mas ainda interagindo muito. Gostava de confrontar todos os níveis da organização, desde os mais simples, o da mão de obra bruta, aos cargos mais elevados. Sempre considerado um questionador, e incrível por que o questionamento e o enfrentamento conflituoso também são uma ferramenta potente de stress da interação.

Esse stress chegou ao limite, o desequilíbrio de isolamento em um sistema só, me fez repensar tudo, abrir outras portas, interagir com outros públicos e pensamentos, entrar no diverso, despertar a criatividade adormecida em mim, e outras formas e ferramentas para interagir com maior qualidade de presença e produtividade, ai estão o Art of Hosting, Dragon Dreaming, Metodos Ágeis, Facilitação, Organizações Distribuídas, Blockchain, Colaboração e com tudo isso novas perspectivas sobre recursos, sobre o simples e o complexo e o que acontece entre eles.

incrível como em 5 parágrafos é possível interagir comigo mesmo, e manter próximo de tantos perfis diferentes do Rafa Urquhart. Essas perspectivas existiram, são minha história, em cada etapa dela houve uma interação de forma diferente, uma onipresença por muito tempo desencadeada na minha facilidade de locomoção e adaptação quando a internet e as video-conferencias ainda não eram realidade.

Sobre o como? A forma? Penso que ela é tão diversa e mutável, que me limito apenas a trazer bordos e possibilidades.

A criatividade e a descoberta esta na interação, não isolada em mim.

O significado de próximo e distante muda com o tempo.

Mesmo que eu nunca tenha conseguido ligar pra todo mundo nos seus aniversários, ainda assim me sinto próximo e esse sentimento é só meu.

Não se pode comparar a minha percepção de proximidade com a do outro e portanto o nível de interação percebido por um e por outro, por mais que a medida possa ser a mesma o contexto de significado e calibração é diferente.

Sim somos humanos e precisamos interagir, fazer juntos.

Não somos formigas, nem exércitos, nem robôs, somos diversos e únicos pela integração das nossas histórias.

Se der vontade de mandar mensagem mande, não importa o julgamento, é só uma vontade.

Se tiver que falar algo importante, fale, mesmo que isso possa desencadear num conflito bélico, afinal essa percepção de belíssimos é apenas uma possibilidade da percepção do conflito.

O conflito não é mau. E por si só é uma interação potente em si. Aprenda a conflitar, até mesmo consigo mesmo, esse é o melhor dos conflitos pois te faz mudar as velas e perceber os ventos.


Por fim, o mais importante sobre proximidade é se manter próximo de quem você é, com o tempo aprendemos a perceber quando nos distanciamos de nós mesmos e se isso acontece também nos distanciamos dos demais.

Ser quem se é, reconhecer o caminho traçado, e perceber-se próximo e interagindo são apenas sinais de aprendizado em um caminhada ao longo da vida.

Quando é importante ter regras claras?

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Um verbo. Pronto, até aqui concordamos todos. Este é o limite do meu consicente, do pensar, do entender que consigo conectar com qualquer um que me lê, até o meu eu do futuro. O que é? Para quem? De f