• Rafael Urquhart

Como seria a vida se não pudéssemos conectar passado e futuro?

Uma vida com pouco repertório mental e talvez muito tato e atenção as sensações.

Existem as memórias racionais e as sensoriais. Não tem profundidade alguma no assunto, mas sinto frio e calor, e a associação desse sentir com as palavra frio e calor se da na mente, mas a sensação é única, podia ser somente uma sensação sem uma descrição lógica.

Somos animais racionais, a ultima palavra dita a diferença. Não ter passado e futuro talvez seja uma das camadas básicas ao racional, o perceber do tempo lógico, de antes agora e depois ela talvez a principal das camadas que nos define racionais.

O quanto conseguimos perceber de distância e fração do tempo pode ainda trazer mais granulosidade a situação.

Sábado passei por uma experiência um tanto desafiadora. Um problema comum, mas com uma percepção diferente.

Imagine que fazia um tempo que não levava minha família para passear, um passeio de final de semana inteiro, muito por conta da covid, mas também pelo corre corre do dia a dia. Pois bem, saímos de casa para aproveitar o sol da manhã por que a previsão para a tarde era de chuva.

Aqui o primeiro ponto de atenção futura, em algum lugar dentro de mim planejei uma manhã mais ativa, e uma tarde talvez relaxante dormindo ao barulho dos pingos d’água. Futuro já condicionando as ações do meu presente.

100 metros longe de casa e escuto o pneu no chão. Já estou com esse carro tem 3 anos e nunca aconteceu. Mas já estou tem uns 4 meses por trocar os pneus, que já passaram do seu limite. No exato escutar do barulho me veio a imediata reação de culpa ao passado. “Poxa algo me dizia que eu tinha que ter trocado os pneus.”

Passado e futuro presentes no mesmo instante em que olho para meu filho eufórico que acaba de sair de casa, e me frustro por frustrar sua ansiedade. Paro o carro e meus mecanismos de passado se acionam imediatamente de como trocar um pneu, o triangulo para sinalizar a parada (parei numa avenida rápida extremamente movimentada), abre o porta-malas, tiro as coisas para dar espaço para tirar o pneu reserva. Giro incansavelmente e percebo que a roda sobressalente não solta (por sorte minhas experiencias do passado recomendam só tirar a roda com pneu furado depois de o pneu reserva estar checado).

Nesses 20 minutos consultei o manual (mais um movimento de ajuda e resgate de passado), pra ter certeza de que não estava girando pro lado contrário ou fazendo algo errado. Começo a procurar o telefone do seguro, mas algo em mim fala que existem outras opções, do que esperar um guincho e todo o tempo de vai e vem. Entro no instinto sobrevivência, já não observo mais como estão meu filho e minha esposa, só checo rapidamente se ela esta bem, e saio a caminhar em direção a uma concessionaria de carros e uma loja de pneus (situação engraçada, uma loja repleta de todos os tipos de pneus, mas não pode me ajudar), é o serviço para uma borracharia.

Encontro o contato e a distancia da mesma, e as coisas começam a se resolver, lembro pelo meu passado que posso chamar um Uber para ir até a borracharia, trazer um borracheiro, avaliar como tirar o step. Passo 1 resolvido. Descubro com esse apoio que o parafuso que solta o pneu reserva quebrou e não tenho acesso ao pneu reserva, é guinchar o carro ou tirar a roda, arriscando ser multado, até que se resolva. Por sorte ou instinto resolvo correr o risco, tirar a roda e levar a roda a borracharia para avaliar a gravidade do problema, se simples em 20 minutos estava resolvido, se complexo, plano B guinchar o carro com o seguro.

Tudo se resolveu em 1h e 30min.

Porém minha capacidade de presença frente a tantos estímulos foi reduzida. Percebi de forma severa o quanto passado e futuro nos atormentam o tempo todo. Não teve um instante que eu não olhasse pro sol e pensasse na experiencia futura perdida. Não teve um instante em que não revirasse o passado atras de outras possibilidades, ferramentas e recursos para solucionar a situação da forma mais rápida.

Em resumo deixei de estar presente para minha família, e para as ajudas que insistentemente apareceram durante esse tempo.

Não posso dizer que a vida seria melhor ou pior se não pudéssemos conectar passado e futuro. Certamente eu não teria um carro, e não teríamos os confortos tecnológicos que dispomos. Mas talvez só talvez, a qualidade e nível de presença seriam extraordinários, com o foco todo no agora.

Estou consciente que posso escolher onde por foco, no presente, passado ou futuro. Estou ainda mais consciente que excesso de preocupação com o futuro ou ainda excesso de repertório de passado mecanizam as minhas ações níveis neuróticos.

Escolho respirar mais nos momentos de presente para perceber os aprendizados que se apresentam.

Tenho a intenção de continuar utilizando todas as situações para crescer aprender e avançar.

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