• Rafael Urquhart

Como transformar relações de poder em relações de colaboração?

Atualizado: 25 de mai.

Interagindo, conversando e estabelecendo elevador grau de confiança.


Transformar relações…É estranho como essa transformação parece presunçosa. Talvez não tenha receita para transformar relações, talvez sim tenham formas de ressignifica-las na perspecitva dos envolvidos, mas transforma-la fica difícil, não tem como apagar da memória anos de relação hierárquica, apoio ou serviço. Talvez a forma de mudar o significado seja olhar pra todos os pontos em comum, que existem numa relação de colaboração, e a partir de uma escolha de mudança, passar a valorar mais estes pontos, dar mais espaço pra esses tipos de troca e aos poucos se sentir colaborando efetivamente.


As relações de colaboração pra mim já são mais claras, talvez eu tenha passado da fase da utopia do unicórnio colorido, que só com colaboração se resolve. Cruzei também a fase de que as pessoas nasceram para colaborar, que isso é interno nosso e já vem concebido.


Infelizmente acabei aceitando que nossa forma de se relacionar é reflexo de anos de imersão num sistema que não foi feito pra colaborar. Mudar, ou transformar essa ótica relacional talvez demande o mesmo tempo, não que não seja possível, mas exige uma paciência considerável no entender que cada pequeno passo é importante, que muita coisa não vai ser colaborativa, e que o incremento das experiencias a medida do tempo, fazem com que um numero maior de pessoas possa perceber o real valor da colaboração.


Em ambientes organizacionais tradicionais, ainda é natural o perguntar, “posso?”. A insegurança no errar ainda é vista como culpa. A incerteza e medo ainda são mais fortes que a curiosidade e a proatividade. E não tem nada de errado nisso, são sistemas que sobreviveram por 30 ou 40 anos operando dessa forma, pela grande exposição de tempo, os limites da zona de conforto/confiança são bem definidos e claros (o que é bom) só que estes limites ficaram estagnados no tempo, numa época em que somos estimulados a amplia-lo a todo instante.


Chamo de relações de poder, a simples relação em que um tem que pedir permissão ao outro. Talvez a palavra poder pegue forte, mas de alguma forma existe um pequeno poder de quem determina sobre quem pede a permissão. É uma relação de ordem, para que tudo ocorra dentro de um limite de segurança e controle. Natural num sistema que opera assim a 200 anos em virtude da era industrial.


Me assusta dizer, que por mais que eu visualize as transformações acontecendo rapidamente, o risco de frustração é diretamente proporcional a essa velocidade, ou seja, tem que se entender o tempo necessário, permitir esse tempo e deixar claro nas expectativas este tempo, pois é fácil e rápido as expectativas serem expandidas em um nível de que jaja tudo se resolve, e infelizmente não da pra apagar 200 anos em meses, nem transformar uma experiencia de 18 anos em bancos escolares, em meses de experiencias colaborativas.


É perceptível sim que é mais simples, só que isso não é sinônimo de fácil, pelo contrario. Demanda um esforço de dificuldade considerável para quebrar padrões, desaprender não é fácil nem tampouco simples. Não se apaga o inconsciente do dia pra noite, tanto que é fácil retornar ao modelo não desejado de controle e ordem, pela simples interação neste sistema.


Colaborar é divino, mas também é uma construção no tempo. É quase como um recomeço, uma nova relação a partir do zero. Não que se anule tudo que já se viveu, mas para aproveitar toda esta história o movimento de desaprender e ressignigicar talvez seja a habilidade necessária para possibilitar que relações se renovem e se transformem para um viés colaborativo.


Como perceber que nos querem bem?


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