• Rafael Urquhart

E se hoje eu não tivesse uma pergunta?

Nada, zero, nenhuma pergunta em absoluto.

Ja experimentei o vazio do papel em branco, onde é preciso um ponto para começar.

Mas esse vazio, o nada, o silêncio, o que é possível refletir lá?


Não me contive e acabei fazendo uma pergunta, mas e se...

Só hoje, eu não tiver que responder a nada, a ninguém, nem a mim mesmo?


Percebo neste instante que por mais que eu não tivesse uma pergunta no inicio, o que não é verdade, acabo criando outras, em instantes, e refletindo a partir delas.


Talvez a pergunta inicial possa parecer uma armadilha de uma parábola infinita, ou talvez não.


Que horas vou acordar amanhã, talvez seja a ultima pergunta do dia anterior e a primeira do dia que inicia? E perco a conta de quantas perguntas começamos:

o que vou comer?

o que vou beber?

o que vou fazer?

qual minha agenda?

para onde vou?

trabalho de onde?

começo por onde?

faço o que primeiro?

o que ta atrasado?

ligo pra quem?

o que não fiz?


Só comecei e já bateu o cansaço das inúmeras outras perguntas que surgem em automático. Posso estar em férias, em descanso que elas vão surgir igual.


Será que da mesmo para passar um dia sem perguntas? Talvez dormindo (ja tentei mas entre um acordar e outro vinha uma pergunta), talvez meditando o dia todo (ainda não me arrisquei) ou quem sabe em silêncio observando fixamente algo sem refletir sobre esse algo.


Penso logo pergunto...


Me parece que a pergunta é um canal direto de reflexão e indagação e por mais que eu fique meditando o dia todo, a pergunta por quanto tempo? Talvez esteja presente.


Não da pra fugir, somos seres perguntadores e respondedores, mais fácil assim, aceitar dói menos.


O que me pega mesmo, é que tem dias que não nos fazemos nenhuma pergunta reflexiva, profunda e interessante, e só corremos o automático respondendo as mesmas perguntas de sempre.


E se tivéssemos uma pergunta por dia pra refletir sobre nos mesmos? Quais as possibilidades?



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