• Rafael Urquhart

E se o equilíbrio fosse a utopia que nos mantem em movimento?

Fico me perguntando se no equilíbrio perfeito existe movimento? O que seria o equilíbrio perfeito? Como percebê-lo? Existe mesmo?

Tanta profundidade no simples ato de perceber o equilíbrio. Equilíbrio é dinâmico e nao estático, alguns equilíbrios na engenharia precisam de tirantes, amarras e muita tensão. Será que onde existe equilibrio existe tensão?

Na engenharia algo e concebido em equilíbrio por um determinado tempo, dependendo de uma manutenção ou ajuste com uma frequência específica. Afinal nem tudo dura mais de 100 anos.

A busca pelo equilíbrio nos âmbitos da percepção de si mesmo parece ainda mais desafiante. Quando me sinto bem em família, algo no trabalho está desequilibrado, se estou em equilíbrio com as entregas, acabo por desequilibrar minha saúde. As vezes me sinto um malabarista com 10 garrafas no ar, escolhendo a cada milésimo de segundo qual delas precisa do próximo continuar de movimento. É uma metáfora simples mas que envolve uma dupla percepção, o malabarista precisa estar equilibrado e o movimento de cada garrafa também, no seu giro, tempo e sincronia com as demais. Por fim mesmo nos malabares está tudo conectado, a velocidade do vento, o calor, o barulho, o suor, pequenos movimentos e a distração.

Uma nova distração e tudo foge do equilíbrio, algumas garrafas caem, outras continuam e nesse perceber de caos cabe a decisão do malabarista de parar, respirar, perceber o novo contexto e se for de sua escolha começar de novo ou escolher novos objetos a equilibrar.

“A utopia nos mantém em movimento.” Autor desconhecido

De todas utopias que me cercaram até aqui, parece que o “equilíbrio perfeito” sempre foi a mais desafiante, afinal essa utopia nao depende de mais ninguém, somente de mim e de como percebo a minha volta.

Pensar em me manter equilibrado já parte do princípio ou julgamento sobre mim mesmo de desequilíbrio ou desarmonia. É julgar dívida de um lado sobre outro, de uma escolha sobre outra perante a si mesmo e principalmente sobre os demais. É um comparar com referências mil que não tem fim. Quando parece que o equilíbrio chegou, alguém chega e acrescenta uma nova perspectiva ou mais simples ainda, algo novo é percebido que não podia ter sido percebido antes, e agora a própria situação ínfima de equilíbrio permite perceber e sentir novos desequilíbrios.

Me considero neste instante talvez um desequilibrado inveterado, no bom sentido se é que ele existe. A percepção do meu próprio desequilíbrio me mantém em vigilância e pensamento, muitas vezes em movimento, outras em inércia total no personagem observador. Mas ainda assim talvez o que me põe em movimento não seja a utopia do equilíbrio, mas sim os desconfortos e pesares quando me sinto em desarmonia, emergindo deste caos interno uma nova ação, um novo passo ou simplesmente um novo movimento na tentativa de acertar o equilibrar de si mesmo.

O que me desequilibra?

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