• Rafael Urquhart

E se o que nos faltassem fossem laboratórios?

Lugares para experimentar, testar e validar.

Entendo que existem inúmeros métodos de aprendizagem, cada individuo tem o seu. O meu ocorre muito pela prática, ler ou ouvir alguém não me contempla neste aprender, para “entender” preciso testar, validar, experimentar na prática. A minha percepção do aprender ultrapassa o conhecimento técnico, ele acontece quando coloco a técnica na pratica e colho novos resultados, feedbacks e novidades.

Posso começar a repetir, repetir e repetir, treinando o músculo para ficar talvez sênior em algo, a cada repetição um pequeno ajuste, uma pequena melhora.

Na época da universidade, quando fiz engenharia, trabalhei em diversos laboratórios de pesquisa, primeiro na área hidráulica e hidrológica, depois com materiais como solos e concreto entre outros. O comum entre todos eles, é que em todos os projetos existia sempre a curiosidade de um ponto de melhora, como laboratório o objetivo era testar um grande número de possibilidades, formas, composições, traços e jeitos para produzir algo, como oportunidade de aprendizado existia o desejo de encontrar algo ainda não feito que pudesse levar melhora no meio em que se estava experimentando.

Trago o olhar da academia, dos testes para outros experimentos. Sinto que como humanos reduzimos nossa capacidade de relacionamento, a sobrevivência ganhou mais importância que a relação, e é incrível como a segunda abastece a primeira. Estamos coletivamente debatendo sobre formas de resolver o bem comum que estamos inseridos, escolhendo lados, e assistindo a repetição de soluções que já não funcionam mais, que não resolvem, e que em muitos outros lugares já demonstraram sua ineficácia.

Alguns dizem que é muito complexo, que o problema é sistêmico. Concordo plenamente, mas será que a forma de solução milagrosa ou salvadora que esta sendo praticada não precisa de laboratórios e experimentos distribuídos em menor escala que possam atende-lo?

Observo uma série de movimentos positivos acontecendo em Porto Alegre, posso chamar de laboratórios também. Sito dois principais, Pacto Alegre e Poa Inquieta, ambos buscam a sua forma novas formas de diálogo, de sinergia, de movimentos coletivos para tornar a cidade um espaço mais próspero e cuidado. Trago essa observação de quem não vive os dois movimentos, e só os observa. De fora os vejo como excelentes laboratórios, onde a ação está permitindo a prática, a experimentação e por que não novas soluções não pensadas antes.

Olho pra Simplify do qual faço parte, e também com a lente de laboratório vejo varias formas sendo experimentadas, testadas, validadas, permitindo o erro e suas tentativas. Quem por lá está, os que conheço mais proximamente, evoluem, criam, pensam novas formas, percebem novos meios e modelos, conversam a respeito do que esta acontecendo.

Fico me debatendo neste olhar, de quantos lugares de trabalho, empresas, organizações, escolas, hospitais e ambientes públicos estão desprovidos de uma área de testes, e mais ainda desconectados de uma percepção de que é preciso experimentar novas formas pra mudar o estado em que estamos.

Como seria se as nossas semanas tivessem um dia onde a tentativa e erro são estimuladas?

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