• Rafael Urquhart

E se uma pergunta não coubesse numa caixa programada de 200 caracteres?

Acabo de fazer uma descoberta, 1258 dias depois de escrever meu primeiro texto nesse canal, descobri que o título não pode ter mais de 200 caracteres.

Como é fazer o que faço nos bastidores com a cortina aberta? Como seria deixar a parede da cozinha transparente as percepções de erros e acertos, e aos valores que ainda ninguém percebeu? Como seria deixar aberta todas as perspectivas e campos de possibilidade para quem recebe algum valor entregue por nós? Como dar voz aos bastidores?

Hoje começa uma nova etapa. Não é um recomeço em si, mas um transmutar de perspectiva sobre “o como”.

Nao fiz essa conta, talvez alguém possa fazer por mim um dia. Quantas perguntas escrevi e refleti sobre “o como”, a forma.

Lembro de ouvir muitas vezes através do saudoso Oswaldo Oliveira:

“A FORMA INFORMA”

Sei que a celebre sentença não é escrita por ele, talvez um dia encontre a autora.

Mas sim, o como fazemos o que fazemos informa sutilmente através de atos, sobre aquilo que somos e estamos a serviço. Passei muito tempo preocupado com “o quê”, focado no objeto, no produto, no serviço, com um olhar do melhor processo para que seja feita a melhor entrega de valor possível. Fiquei 15 anos, de 1998 quando comecei a pensar na faculdade que ia fazer, até os anos 2013 quando buguei, na busca incessante por perfeição e aceitação. Foram 15 anos focados no ô que, que deram muitos frutos, muitas realizações, e uma estrada de “como”s não documentados mas registrados na minha experiência.

Engraçado, que depois foquei no “Para quê?”, buscar as minhas verdadeiras intenções sobre aquilo que faço, meu rompimento com a carreira tradicional em 2014 se deu por eu me perder, por desconexão de fazer algo que me dava muito dinheiro, mas que não me alimentava energeticamente nem vitalmente para ter forças para seguir, esgotei, e isso me trouxe a outro caminho, um caminho conectado com grande ênfase no presente, na intenção do agora, sem se preocupar com futuro, com legado, ou com o caminho. Foi um fazer conectando ação e intenção, na busca dos melhores meios para fazer o que gosto, com o foco no que me nutre fisicamente e emocionalmente. Pois é, descobri a duras penas que é lindo fazer o que se ama, mas é uma arte simplificar-lo ao ponto de pode extrair valor para o mundo e que me sustente financeiramente.

Por romper padrões e sair da zona de conforto em ambas as explorações, depois de nutrir nos últimos 8 anos essa pergunta (que me rendeu um livro), refletindo em mais de 1000 textos, num divagar filosófico sobre o presente, percebi nessa semana que existia uma simplicidade oculta no “como”.

Repeti inúmeras vezes publicamente, que existiam dois recursos básicos nesse planeta, “CONHECIMENTO”e “TEMPO”, que somados a MATÉRIA NATURAl, se trasmutavam em objetos, realizações, ferramentas e artefatos que nos levaram a evolução. Mas como isso se conecta? Como isso acontece? Como esse conhecimento se dá?

Talvez as peguntas estavam certas, pois esta sequência, me deu um olhar da trilogia, uma jornada, em que precisei sair da zona de conforto, enfrentar todos os meus dragões, para com ajudas de múltiplos aliados (sintam-se todos aqui reconhecidos), poder agora perceber com outra lente, os tesouros escondidos nesse caminhar.

Começo hoje talvez a escrever um livro, ainda não sei, só sei que começo a escrever com outra lente. A lente do “como”.

Por 23 anos pensando, procurei razões no “O que”, O que eu quero? Sempre respondendo muitas coisas, quero muitas coisas, muitos objetivos, impossível definir um, acabei me tornando plural, adaptado a infinitos contextos, públicos e desafios. Em todos eles o ponto comum não esteve no objeto, mas sim na forma.

Por isso, reflito o abrir de cortinas. Abrir as cortinas para mim mesmo, de documentar o como faço o que faço. Quem sabe ao tornar publico para mim primeiro através destes textos, este desvelar sirva de valor a tantos outros, que possam se somar, agregar mais camadas de perspectivas, melhorias, evoluções e referências que não fiz, e coletivamente colaborando entre muitos cheguemos a “Comos” no PLURAL, que conectam passado e futuro, comunicando por si só por sua forma.

Talvez eu não tenha respondido sobre a cortina, por que seria utópico tentar mostrar tudo que acontece por traz de-la, mas o simples olhar ou perceber, que não preciso esconder, e quanto mais transparente for o fazer, mais documentos, evoluções e idéias ficam disponíveis para se somar a outras, em rumo ao desconhecido, ao mistério do não saber e seguir fazendo aquilo que nos conecta.

Como criar meios para a regeneração?

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