• Rafael Urquhart

Para que a persistência?

Para aprender e consequentemente sobreviver.

Tenho tido reflexões profundas sobre aprender e se perceber aprendendo e nestes últimos dias elas estão ligadas a persistência. Minha filha esta passando uns dias comigo, suas férias na perspectiva dela e na minha alguns momentos em que consigo criar oportunidade para que ela aprenda outras perspectivas.

As vezes sinto que ela não esta disposta a aprender, afinal por algum motivo ela entende que nas férias é momento de curtir, e que no período de aulas é o momento de aprender, aos poucos vou criando a oportunidade de desconstruir isso, trazendo o olhar que se aprende todo dia, e mais profundamente através da prática e da persistência.

Segunda feira assistimos juntos, Carol e eu, o filme “Rainha de Katwe”, sobre uma menina habitante e nascente em um local de pobreza extrema, com raríssimas oportunidades, que é resgatada pela beleza do xadrez, não a prisão, mas sim o jogo de tabuleiros que me encanta desde pequeno e tenho como base para o desenvolvimento de raciocínio.

A história conta a respeito da perseverança, que contêm em si a persistência, contra toda lógica, conceito e status quo, essa menina desafia os próprios limites de quem nunca acesso um livro ou um estudo, a explorar sua capacidade de raciocínio através das 32 peças e o tabuleiro quadriculado.

Trago meu olhar de fascínio pelo filme ao assisti-lo com uma criança ao meu lado. As perguntas, as observações, o contraste muito bem retratado de uma realidade distante da minha e da minha filha, provando durante todo o filme que qualquer desculpa que produzimos é pequena, frente a demonstração de coragem e fé da personagem do filme.

Volto a pergunta sobre persistência e acabo de somar outras duas palavras a reflexão, perseverança e teimosia. Talvez as duas ultimas sejam os extremos de quem persiste, com cenários distintos de abertura.

Não posso descrever a não ser pela minha perspectiva a respeito da minha teimosia, aquela que incomoda os que me cercam, em inúmeras vezes ela se mostrou eficaz, atingindo o objetivo a um custo altíssimo, em outras ela causou frustração e tristeza, por ter que mudar o caminho, mas incrivelmente em ambas, o aprendizado foi gigantesco, posso olhar pra ela hoje e ressignificá-la como perseverança nos momentos que funcionou, a diferença sutil e que quando a teimosia é maléfica é porque não estamos abertos a outras perspectivas, a somar idéias, ou em suma, abertos a aprender algo. O teimoso não está disposto a aprender, o perseverante vê o aprendizado em tudo que faz e ainda assim não desiste, quando muito altera a rota ao seu objetivo.


“A vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas pela capacidade de começar de novo.” – Scott Fitzgerald

O perseverante está focado no “para que”, já o teimoso está focado no “como”, ambos não desistem e carregam persistência nas suas vocações, a diferença está só na abertura que ambos tem para aprender. Ainda assim uma hora o teimoso abre suas portas e se torna perseverante, então não critiquemos a teimosia, apenas saibamos aproveitar as belezas e riquezas que ela traz na arte de aprender, através da persistência,

“A persistência é o menor caminho do êxito.”– Charles Chaplin

“Os grandes feitos são conseguidos não pela força, mas pela perseverança.” – Samuel Johnson

E assim me reconecto com o xadrez, arte ou prática que aprendi com menos de 5 anos, lembro-me neste momento das minhas idas a biblioteca publica de Santana do Livramento – RS, todas as terças a tarde para praticar, com 8 anos jogava torneios, gostava do jogo, me permitia pensar e fazer no meu ritmo.

Olho para experiência da minha filha, que aos 4 anos fazia os primeiros movimentos, onde a prática a abandonou por um tempo, mas que agora inspirada pela menina do filme, retoma aos poucos, uma pratica a cada dia, com todas suas derrotas, erros e aprendizados, mas na perseverança de aprender um pouco mais a cada dia nesta arte de aprender e sobreviver.

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