• Rafael Urquhart

Por que mantemos o foco naquilo que não temos ao invés do que temos?

Talvez por que inconscientemente fomos treinados para isso, ou minha segunda e provável hipótese é de que o universo do que temos é muito maior do que o que sabemos que não temos.

Tento me recordar dos momentos em que eu perguntava, sobre quando teria acesso a algo e vinha uma resposta de alguém do tipo, “quando fizer isso”, “quando completar aquilo” ou pior “quando chegar em tal idade”. É um pouco sobre permissão, mas também de observar e não poder acessar, de ter escasso acesso a uma série de coisas legais.

Poderia responder essa pergunta pelo viés material, mas tive uma oportunidade recente de olhar por outro prisma. Iniciei essa semana com a visão de um dos olhos extremamente turva, não sei o que aconteceu, minha vista direita esta sem foco e atrapalha para tudo, para ler, para ver uma planilha, a ponto de ter que tapar o olho e utilizar somente o que está bom. Eu não tinha falta de visão, agora tenho essa falta. Incrível que valorizei poucas vezes o fato de ter uma visão muito boa, de ter podido fazer uma cirurgia e eliminado a miopia em 2009. Mesmo já tendo experimentado a dificuldade de visão quando mais jovem, ainda assim não valorizei o numero de vezes suficiente o fato de enxergar bem.

Sinto que o que temos é muito maior do que o que não temos (só não percebemos), por isso é mais fácil olhar paro que falta, ao invés de olhar para tudo que se tem. Mesmo que esse ter não seja sobre posse, pense em tudo que você pode acessar. Pensou? Parei com a imaginação aqui por que a lista é infinita, sou um privilegiado com relação a isso, com certeza essa lista é infinitamente maior se comparada com aquilo que não posso acessar.

Parece que como a água, nosso foco cai no caminho mais fácil sempre. Isso complica por que o mais fácil normalmente é contrario ao mais simples. Seria muito mais simples focar no que tenho, e ir ampliando isso aos poucos, do que focar no que não tenho e tentar preencher esse vazio. A velha metáfora do copo cheio e do copo vazio, ela vai e volta na minha frente, me mostrando que o simples está em perceber e agradecer a beleza do que podemos acessar todos os dias, até mesmo como uma boa e limpa visão, enquanto ela durar, por que sabemos que com o avançar da idade ela um dia vai se reduzir até o ponto de não vermos ou não percebermos mais o que vemos.

Onde está sua intenção hoje?

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