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  • Rafael Urquhart

Preço para que?

Fiquei 10 dias com essa pergunta extremamente difícil.

Talvez para um economista a resposta venha fácil, já que o preço é crucial para regulação de mercado, para atribuição de ativos e é claro um dos pilares do marketing.

Mas quero ir mais além, preço de que? Tudo tem preço? Me parece incrível que talvez as coisas mais impactantes da vida utilizamos um termo ou jargão do tipo. Ahhh tal coisa não tem preço. Por que será? O que passa na nossa cabeça quando digo por exemplo: Presenciar o nascimento do meu filho não tem preço. Em algum lugar significa que custando o que custasse eu moveria o mundo para esse momento. Também pode significar que não existe medida no mundo capaz de mensurar esse momento. Então faz algum sentido eu pensar aqui ou admitir pra mim, que o intangível não tem preço.

Reflexiono por que vivo em um mundo onde tudo que preciso ou escolho consumir tem um preço, tem seu custo também mas no preço estão embutidos muitas outras camadas além do próprio custo. A materialização de muitas coisas que acessamos se dá ou se percebe valor através do preço.

Por exemplo.

Um atendimento com um consultor, se o preço dele é alto, é possível que alguns pensamentos automáticos de entrega maior de valor se apresentem, ahh mas ele tem uma reputação x ou y. Ok, se comparo com um consultor de preço mais baixo, em algum nível posso interpretar que o que ele entrega é menor, pelo simples fato de observar somente o preço e nada mais. Parece uma comparação difícil sem termos outros artefatos ou artifícios. Agora pense quando vamos comprar, eu do meu lugar simples, sempre comparo os preços, uma que outra vez vou mais a fundo pra ver no detalhe o que um produto ou experiencia diferem do outro, analiso ainda se esse preço não muda na decorrência do tempo, ou de um lugar para o outro, afinal as vezes no outro supermercado o preço do tomate esta mais barato, na objetivação da facilidade, acabo na maioria das vezes pela comparação do preço.

Acabo percebendo que sim o preço é mero indicador de comparação, e se respondo o para que da sua existência, sinto que a função base é esta, permitir comparar coisas diferentes por um indexador comum que facilita a troca. Humm, então o preço é um facilitador de troca, interessante. Será? Deveria ser, mas não acontece assim com alguns recursos.

Infelizmente o preço por si só também é uma barreira um limitador, que pode acarretar em desperdício e perda para ambos os lados. Penso num cenário simples ligado a perecibilidade. Quem da o preço é o vendedor em 99% das vezes (não estudei esse número, é uma percepção), claro que deixando margem para uma pequena negociação. Imagine um teatro, com 200 lugares, seu administrador definiu que a média de publico tem sido de 50 pessoas, e contabilizado os custos e lucro esperado ele põe um preço, digamos que R$ 100,00. Muito bem, para a sorte do teatro no dia da apresentação tinham 52 pessoas dispostas a pagar os R$ 100,00 o que é ótimo em função da expectativa mas também incrivelmente R$ 148 lugares disponíveis. Fiz a brincadeira de R$ 1,00 por lugar, mas sim, pelo menos R$ 148,00 livres. Se inverto totalmente a lógica, e deixo que as pessoas que compram deem o preço, existe o risco de que o valor arrecadado não seja suficiente e não cubra os custos, mas assim como o vendedor da um preço e o comprador não aceita, por que o inverso também não se vale? Talvez exista ai, uma perspectiva diferente de preço. Sim Rafa mas na feira as vezes negociamos valor, no comércio negociamos desconto, assim como em serviços. Sim verdade, existe essa liberdade do comprador dar uma margem, mas lembre que isso impossibilita que ele ofereça um valor maior do que o preço inicial de referência. Ao meu ver o preço de referência limita a oferta do comprador, e nesse caso, o preço só atrapalha, fico com a possibilidade de reconhecimento e disponibilidade de valor.

Aprofundei demais, e volto depois dessa reflexão ao para que, e fico somente como referencial, para ser referencial para trocarmos, para isso serve o preço. E é muito diferente da valorização que posso atribuir para as coisas, tanto a mais quanto a menos, a depender do sistema de valor que me encontro no tempo presente.

Numa transição talvez ainda lute com o preço por um tempo, mas algumas experiências que tive a oportunidade de testar, em que ficou um espaço aberto para o comprador atribuir valor, os resultados se mostraram interessante, embora eu diga que na maioria dos casos ainda assim as pessoas precisaram ou pediram um referencial de preço pra fazer a oferta.

Como comunicar um valor referencial?

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