• Rafael Urquhart

Qual a percepção do tempo do outro? (17/dez)

Quando acho que alguém devia ter feito algo, em um tempo que eu faria, entro em mais de uma armadilha no mesmo instante. Primeiro julgo, depois me comparo, e no final me culpo, por não ter feito, ou por não ter sido exitosamente claro na orientação.

Não sei se é só comigo, mas a narrativa anterior me frustra, e é carregada de culpa, se externaliso, entrego culpa ao outro também em tom de crítica. E ai me pergunto como pensar no tempo do outro desassociado a percepção do tempo comigo mesmo, como?

A minha percepção do tempo do outro neste instante estabelece, que ou eu sou mais rápido, ou sou mais lento, e que a probabilidade de fazermos no mesmo tempo é absurdamente impossível, já que se igualarmos os milésimos, podemos ainda descer mais fundo no tempo, reduzindo ainda em menor tempo desigual, oi? o Rafa pirou?

Não, pode parecer louco, mas só posso perceber no outro o que percebo em mim, e com relação ao tempo isso fica ainda mais visível, só posso perceber o tempo comparando-o a outro tempo. O tempo dos segundos e a divisão universal do tempo, foi percebida e medida por alguém. A partir dai temos o standard tempo, uma base para compararmos todo o resto. Tudo é sobreposto sobre este tempo, a velocidade do carro, o tempo de uma reunião, e até mesmo os 9 meses (médios) para alguém nascer.

Muitos nascem antes, são chamados de prematuros? Ok, pré-maduros. Outros nascem alguns dias depois. E até para nascer não temos um tempo exato.

Um ovo cozido não tem o mesmo tempo, ja que um ovo pode ser maior que o outro. E assim posso estender o grau de comparações do tempo do outro, me limitando a entender que só percebo o tempo no outro por que percebo em mim mesmo. Se não percebo em mim, busco uma referência na existência (até agora o relógio), para poder assim perceber o tempo do outro. Eu não corro formula 1, mas percebo o tempo de um piloto.

Transcrevo talvez numa viajem mais longa de pensamento, que tenho que aceitar o tempo do outro, compartilhar ferramentas que aprendi para ganhar tempo, economizar tempo, e viver mais rápido, intensamente mais rápido a partir da minha perspectiva. Mas…preciso estar aberto para entender que o caminho mais curto não é o mais rápido.

Fico com essa mensagem da vela, que nem sempre o caminho mais curto tem o melhor vento e se torna o mais rápido. E trago ainda o olhar, mais rápido pra quem?

Ja que se me baseio nos meus números anteriores e tenha melhorado posso estar mais rápido, mas aos olhos de outro navegador mais experiente, ainda posso parecer lento.

Para quê, lutamos com as referências?

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