• Rafael Urquhart

Qual a tua relação com o novo?

Uma relação tão próxima que beira a uma dependência…e me deixa a pensar.

Me perguntam por que uso tanto as reticências? Acredito que seja o tempo na escrita para ressignificar a pausa ou pensamento sobre o novo.

A pergunta ainda está reverberando em mim. Tenho sim uma dependência do novo, me parece que permanecer na mesmice, na normose, é algo que não combina comigo. Neste instante fui pesquisar a palavra normose, ou normalidade que causa sofrimento.

Ficar no normal me adoece um pouco mais enquanto a outros conforta. Fico olhando para as surpresas e reações do meu filho Benjamin, cada nova descoberta é um suspiro de alegria. Ele está ficando em posição ereta aos poucos e o fato de começar a perceber a liberdade de ir e vir a partir de si mesmo parece ser algo novo e surpreendente aos olhos dele. Cada dia um novo movimento, uma nova descoberta. Todo dia algo novo se apresenta, algo simples, pequeno como um suspiro ou sabor diferente, mas novo, em momento, em tempo ou em simples experiência.

Estava contabilizando minhas mudanças depois de assistir ao filme “Divertidamente”. Fixei minha observação em todas as mudanças de personalidade e contexto contidas em uma mudança física de lar. Do meu nascimento até morar sozinho na faculdade não existiram mudanças, ou melhor, apenas uma aos meus nove meses de idade que acredito que não senti, afinal sai de um apartamento para uma casa. Dos 17 anos até me formar também poucas mudanças, mas a partir dai quase perdi a conta, salvei os anos de 2009 e 2012, únicos anos em que não me mudei. Os demais todos tiveram ao menos uma ou mais mudanças, 26 no total. Em novembro de 2008 mudei para Santa Maria-RS e lá permaneci o ano de 2009, quando em abril de 2010 mudei para Pelotas-RS. Em novembro de 2011 mudei de Tanhaçu BA para Maceio AL, onde em 2012 permaneci me dividindo entre Maceio e Junqueiro em AL, até que em junho de 2013 mudei para Porto Alegre novamente.

Relembro esses anos, como curtos espaços de tempo que permaneci em uma mesma cidade desde 2004. Lá se vão 15 anos desde a última aula na universidade em Santa Maria em novembro de 2004, quanto novo e quantas mudanças, aprendizados e histórias novas.

O Natal me lembra um pouco deste novo, parece que a semana entre o Natal e o ano que se inicia, compreendidas com meu aniversário no meio são sempre momentos de novas reflexões, presenças em perspectivas diferentes, sorrisos, abraços, lembranças e celebrações de toda ordem, para encerrar ciclos e se experimentar em um novo ciclo que inicia.

Paro a viagem no tempo e volto ao presente e a minha relação com o agora e com o novo. Esse ano não teve embrulho de presente, não rolou surpresa de adivinhar o que se ganhar, decidimos passar o natal em 3, eu a Su e o Ben, sem embrulhos e sem embalagens e compras, desfrutando do estar juntos. Foi uma escolha de não ter surpresas dos presentes, mas de ter a presença da surpresa. Estranho, mas foi um natal simples e ainda novo, afinal em quase 38 anos de vida, foi o primeiro Natal que não passei com meus pais. Parece bobo aos olhos de quem talvez não tenha mais os pais vivos, presentes, ou que passou na casa dos sogros, e por ai vai. Mas como a reflexão é sobre o novo, me foi diferente, uma nova experiência, transformada numa noite simples como outra qualquer, mas com novos significados.

Se estar longe é novo, se um simples toque de perspectiva pode deixar algo novo, para que repetirmos o de sempre? Da pra inovar sempre, certo? Com um toque mínimo de perspectiva e sem custo algum. Um natal sem presentes, um natal talvez sem comer ou um natal sem beber, um natal recolhido ou expandido e quantos outros possíveis. Um natal. Terei ainda talvez mais uns 62, já foram 38, e todos os que hão de vir serão novos, assim como todos que passaram já o foram.

É um renascer, um nascer novo, um experimentar, uma nova luz, una nova foto linda ou simplesmente uma nova história. Por mais repetidos que sejam os hábitos natalinos, se buscarmos em profundidade sempre terá algo novo, algo único e especialmente novo. As vezes é um novo ruim, ele sempre luta em aparecer primeiro, mas quase sempre é um novo bom. Sempre tem a novidade boa em algum cantinho escondida que precisa ser olhada, é aquele momento extraordinário e único que possa parecer desapercebido.

Buscando esse único e extraordinário novo, esse ano não fiz contagem regressiva, não criei ansiedade pelo primeiro abraço de feliz natal. Simplesmente ficamos abraçados, Su e eu, e quando nos olhamos e lembramos do relógio lá estavam 00:00. Novo, simples, silencioso e carinhoso. A certeza de que o desejo de felicidade se expanda pelo novo de todos os dias à todos que amamos e queremos bem, que agora estão longe fisicamente mas permanecem próximos em pensamentos e imaginação ressignificando a minha e a nossa relação com o novo agora.

Feliz Natal e que o aprendizado continue, Bjos.

Onde habita o consciente?

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