• Rafael Urquhart

Qual o peso do passado na minha memória?

Santo passado, ele guarda tantas coisas legais, tantas conquistas, tantas possibilidades, tantos acontecimentos e tantas relações, pessoas que cruzaram nossos caminhos desde a infância até os dias atuais. A nostalgia se repete com mais frequência nos dias atuais, as lembranças de Facebook e agendas, acabam por reviver memórias que no normal ficariam no tempo.

Já tem até o dia do TBT e não sabia disso. É TBT viajem, TBT disso ou daquilo.

Talvez fotos sejam um registro da imagem imóvel no tempo. Os videos talvez amplifiquem os detalhes. E os textos, bom esses teimam em serem lidos e questionados.

Escolhi reescrever alguns trechos da minha história e convidar pessoas a resgatar outros em que aprendemos algo juntos. Confesso que olhar para isso, num primeiro momento, foi carregado da intenção de criar um canal onde as pessoas pudessem me conhecer mais a partir da minha história ou reputação. Será que isso faz realmente sentido?

Fui surpreendido por um feedback de um amigo, para que eu passasse a viver o presente orientado ao futuro. Ele percebeu que estou vivendo o presente orientado a ressignificação e retroalimentação do passado. Tá mas como isso?

Fiquei refletindo depois do Feedback e no fim, tem um fundo bem significativo de verdade. Guardo uma tonelada de fotos, registros, dados sobre o que já vivi. Esse olhar de nunca saber quando isso será necessário, traz em mim um acumulador. Algumas pessoas acumulam coisas, objetos, minha mãe faz isso bem, e fico feliz quando vejo meu filho brincando com os brinquedos da minha infância. Comecei a me observar que guardo uma série de história do passado e as revisito com frequência.

Esse revisitar, contar histórias do agora, trazendo tudo que veio antes como contexto, faz com que algumas histórias fiquem longas, pesadas demais pra carregar por tanto tempo.

Minha memória está la, viva, ativa, só não sei por quanto tempo. Tenho a certeza de que irei perde-la em algum momento, ou pela senilidade ou pela própria morte. Como sinto que começo a não guardar mais tudo, começo a me apoiar de ferramentas, textos, livros, artefatos pra registrar minha passagem no tempo. Alguns usam o termo, “deixar minha marca”, tipo o mundo antes do Steve Jobs e depois dele.

De fato, existe algo em mim nessa vontade de dar significado a minha existência e deixar um legado. Mas será que revisitar e cuidar tanto do passado me apoia a liberar tempo para o que vem pela frente e principalmente, aproveitar mais do presente?

Fiquei com a analogia da memória RAM, ela vai sendo ocupada até que o sistema fica lento, trava as vezes e então é necessário limpa-la ou resetar o sistema, sendo que na segunda opção ela fica limpinha do zero.

Se quero guardar muito alguma coisa, clico em salvar, registro em algum lugar, deixo a RAM limpa e sigo o baile.

Será que nós humanos não precisamos disso também? Será que minhas introspecções em ciclos não são essa limpeza de memória? Será ainda que o fato de eu sobrecarregar a RAM constantemente não faz com que eu precise de mais pausas para reiniciar ou limpar? Será ainda que o fato de registrar a minha história não seja uma forma de salvar e liberar espaço na memória?

Talvez sim, e com isso vem a reflexão do peso, da carga que isso me traz. Em algum lugar crio a preocupação de não repetir os erros e não falhar novamente, e em outro ainda pior, a expectativa de fazer ainda melhor do que antes e superar o que já era bom. Lendo assim as duas ultimas linhas fica nítido que minha memória se mal administrada pode sim se tornar um peso enorme, mais atrapalhando do que ajudando o meu presente.

Fico com a natural busca de equilíbrio, com o saudável de manter vivas as histórias, mas sem apego a elas, deixando o apego vivo para o agora.

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