PARA QUE SIMPLIFICAR?

O fluxo em nós

Mais do que um relato pessoal e longe de ser um manual corriqueiro de autoajuda, Rafael Urquhart construiu o livro “Para que simplificar?” a partir de suas próprias experiências, sem o peso de ditar regras ou quebrar padrões, mas como um guia para reconhecer a si mesmo e levar o leitor à autorreflexão positiva da vida, através de passagens simples e de lições valiosas de observação. 

“Para que simplificar?” é uma obra que, em lugar de oferecer fórmulas prontas, instiga no leitor a necessidade de reflexão. Através de uma série bem encadeada de questionamentos, o autor nos conduz ao pensamento crítico, explorando com sutileza e flexibilidade a habilidade humana de ponderar sobre demandas materiais e imateriais que nos cercam o tempo todo. Em formato de diário, o livro apresenta uma narrativa leve, que dialoga abertamente com o público leitor e inspira – com histórias e passagens vividas pelo próprio autor –, a ponderação sobre situações triviais e examina nossas ações a respeito destas situações que, muitas vezes, julgamos sem importância. 

Encadeando fatos cotidianos ao longo de pouco mais de um ano, Rafael Urquhart mostra-se um enfático curioso ao procurar, não pelas respostas, mas pelas perguntas certas diante de cada pequeno – ou imenso – ato experimentado no palco de seu dia a dia. Com a audácia dos criativos, o autor explora cada ínfimo detalhe do momento, cada singelo acontecimento e transforma tudo o que vivencia em questões que nos permitem ponderar sobre como lidamos com os eventos que se interpõem em nosso caminho e o que realmente podemos aprender com cada um deles.

Quais são os gatilhos que nos impulsionam e quais aqueles que nos fazem travar? Conhecemos de verdade as nossas verdades, nossos valores? Reconhecemos nossas falhas frente a situações que nos colocam em cheque? Estas e muitas outras interrogações ocultas no cerne de cada indivíduo são reveladas no decorrer da leitura, dando a cada leitor a oportunidade de analisar a si mesmo e ao seu entorno, de encontrar alternativas e novas linhas de raciocínio na busca do conhecimento integral. 

A cada capítulo, os leitores são conduzidos ao convívio pessoal do escritor, conhecendo suas habilidades e suas faltas, as coisas que ama e as que detesta. Somos levados a um passeio por sua vida em família, sua carreira, suas amizades. Descobrimos quais são seus desafios e compartilhamos suas alegrias – como o nascimento de um filho e a concretização de um sonho profissional. É essa ligação tão íntima que esta obra entrega ao leitor, tratando-o como um velho amigo de longa data e criando, assim, empatia e cumplicidade suficientes para sugerir uma inovadora visão da vida.

Diferente das costumeiras obras autoexplicativas, “Para que simplificar?” vem com a proposta de que cada pessoa pode, apenas abrindo-se a novas possibilidades de pensamento, encontrar suas próprias questões e respondê-las. O texto direto dá a cada leitor a “permissão” para analisar a si mesmo sem o peso do julgamento interno/externo, enfatizando que todos temos ferramentas para nos tornarmos pessoas melhores, mais centradas, mas livres e conhecedores de nossas limitações e – por que não? – de nossos superpoderes.

Sim, “Para que simplificar?” é um livro de poder, de empoderamento, de libertação. Não com um apanhado de passos mágicos (“faça isso, faça aquilo”), mas repleto de sinais e significados que Rafael apresenta na forma de seus relatos. É nesse contar histórias, nessa conversa direta com o leitor que o autor consegue demonstrar como deixar para trás o pensamento engessado e expandir-se em direção a novos horizontes cognitivos, ampliando zil vezes as possibilidades de ação, de resposta e de retorno de tudo aquilo que fazemos, dizemos, experienciamos.

A sensação de opressão que experimentamos com as imposições sociais, com a falta da plena felicidade diária, pode estar nas pequenas decisões inconscientes, nos julgamentos automáticos, nas dores que suportamos sem perceber. “Para que simplificar?” vem abrir nossos olhos para essas posturas invisíveis, tão naturalmente internalizadas, que nos fazem agir como autômatos e não como seres plenos de criatividade, harmonia e amor.

Explicando o mundo em que vivemos de maneira primorosa, com suas nuances e seus entraves, Rafael Urquhart propõe ao leitor libertar-se de velhos paradigmas, de verdades obsoletas, de conceitos aprendidos ao longo da vida e das convivências. Em seu lugar, o livro convida a desviar-se apenas um passo desse caminho pré-marcado e aventurar-se a considerar as mesmas velhas questões com um novo olhar, um novo sopro de criatividade e com a permissão de encontrar – e vivenciar – o lado positivo da vida. 

“Para que simplificar?” é uma obra inspiradora e entusiástica, necessária a todas as pessoas que anseiam por reencontrar a si mesmas no intrincado viver diário do mundo contemporâneo.