Já tive medo sim, já fugi de videos, já gaguejei e poucos sabem o quão gago fui na infância. Me fica simples olhar hoje e dizer que depois que percebi que não tinha nada de diferente, e que uma câmera tem o papel apenas de fazer um corte e replicar o que falamos a outros, ser eu mesmo ficou mais simples, mais natural e principalmente mais divertido ao me postar frente a uma câmera.

Aquele lugar onde todos meus valores ficam expostos, meus pontos inegociáveis tornam-se visível e as características que apoiam a minha máxima potência emergem. Ainda não consigo traduzir o curso deste rio, mas sinto que ele se torna cada vez mais visível nos mapas que estou dando transparência a mim mesmo.

Escrever, conversar com mais e mais pessoas, participar de rodas de conversa, diálogos e mais diálogos sobre o humano, sobre filosofia, sobre comportamentos, sobre inconsciências da sociedade tem me tornado alguém melhor, evoluído se comparado a mim mesmo. Me sinto mais tolerante, sereno, calmo, conciso. Talvez isso não fique visível a todos, mas precisava ficar mais visível a mim, e neste momento dou transparência aos bastidores do que faço a mim mesmo.

Quando um chaveiro, destrava uma fechadura em segundos, olhamos e dizemos, putz paguei tudo isso por algo tão fácil e rápido (rápido e fácil pro chaveiro, tente pra ver). Por traz dessa ação existem anos de prática, erro e tentativa, talvez cursos, talvez muitos serviços sem receber, uma história completa de bastidores não revelados.

Percebo que sempre que existe separação, cargos, níveis, grupos, partidos, times e qualquer conjunto que esteja em separado de outro, surge e emerge o nós e eles. As vezes num processo de arrogância pura, se estou com uma visão mais ampliada da situação me refiro aos outros, como eles, que ainda não acessaram esse conhecimento ou habilidade.

Quando entro no nós, ou no eles, é por que percebo e escuto de outras pessoas que percebem isso comigo. É um flutuar da minha percepção no que julgo que só posso refletir em mim e não nos outros, até por que não posso saber de todos os outros. Quando alguém está lendo não sei se essa pessoa se inclui no meu nós, e também não sei se ela faz parte do eles.

Já participei de algumas conversas sobre o aprender, e despertei com esse olhar para O RESULTADO DA PRÁTICA, e vi que isso é meio que unânime (se não for me corrijam), todo aquele que pratica por um tempo algo adquire tal habilidade, quanto maior a pratica mais simples e fácil se torna.

Apreciar pra mim não é só olhar pro belo, é olhar pro que é feio e ir fundo nele buscando o aprendizado de que a existência dele permite ver o belo. Que olhar apreciativamente é sim olhar pro feio, dando tempo e atenção para que o belo e bom emerja deste olhar. Sempre existe aprendizado em tudo que vemos, apreciar não sobre bom, mal ou o que quer que tenha dualidade e juízo, apreciar é sobre aprender, sobre dar sentido ao que vemos.

A confiança não nasce do nada, não brota, ela leva tempo. Para alguém confiar em algo completamente contrario a tudo que viveu e lhe foi dito leva mais tempo ainda. Vejo que a desconfiança está instalada, é um sistema operacional prático, cheio de leis, regras, e crenças que limitam que já está. O mais fácil é desconfiar de tudo e de todos.

Quando chego no limite do pânico algo emerge, algo surge, novas possibilidades se apresentam. Só que pra isso tenho que aceitar o medo mais forte, tirar o foco do pânico e colocar o foco no novo, no aprendizado e na solução que surge. Medo de quê? É a pergunta que me fortalece, me torna possível dar a volta, sentirem confiante renovo e colocar coisas em movimento.

Nos primeiros meses perseguição, agressões, ataques, natural de quem está com raiva. Mas o tempo passa, a raiva passa ou diminui, e talvez num outro momento em outro contexto possamos reduzir nossa raiva e escutar todas as perspectivas existentes e se perdoar. Afinal o perdão é a solução para vivermos o presente sem magoas do passado.

Fica mais simples olhar por essa ótica, mas ainda é difícil. É como se tivesse que contar para mim mesmo, agregando valor dos benefícios que estes iniciares irão trazer. É preciso paciência, aprendizado, treino, para dar o primeiro passo.

Em algum lugar encontrei espaço pra falar das minhas auto-sabotagens, dos meus desprazeres de ficar imóvel imerso na preguiça. Os pontos de escolhas eram ficar em preguiça ou ir de encontro a situações não desafiadoras, ou situações que não me punham em movimento. Quando elas apareceram durante o dia escolhi sair, para ver as as belezas de uma obra num dia de chuva, ouvir pessoas que estão se reconstruindo e poder observar seus melhores pontos, suas áreas comuns que não estão sendo vistas.