Sim é orgânico, é singular, e ao mesmo tempo é simples. Construimos ferramentas de toda a ordem, tanto administrativas, tecnológicas e organizacionais. Mas se a mais simples e antiga das conversas fosse a resposta, ao invés de comunicar (falar) fosse OUVIR, escutar. Se as conversas pudessem ter uma inversão de foco, ao invés de serem canais para enviarmos ao coletivo, construíssemos canais para que o coletivo conversasse entre si, a partir da escuta e da apreciação?

E ainda que todas elas aconteçam, se multipliquem e não porém, ainda assim vou querer ter conversas comigo mesmo, me analisando, me cuidando. Ouvir minha voz interna que diz alô, cuidado ou vai logo, vai me permitir continuar crescendo evoluindo e podendo interagir com mais presença com os demais.

Reflito no e se, e me pego olhando pro tempo, e tendo que naturalmente escolher quais conversas, quero, desejo e necessito ter. Nessa trilogia de perspectiva fica mais fácil decidir, a conversa nasce de um querer, de uma vontade genuína e também da necessidade latente, se isso acontece.a escolha é garantida. Com aquela conversa em família que por muitas vezes é adiada por que é necessária, mas ninguém quer ter.

Essa arrancada, se sozinho pode ser extremamente penosa, difícil, dura sustentando a máxima de que sem esforço e dor, sem ganho. Porém, existe outro caminho, se buscamos conversar, interagir, trocar idéias, pedir ajuda, mostrar-se vulnerável e permitir que os que já estão em movimento te apoiem, algo acontece.

Começamos a colocar as ferramentas e os conhecimentos em prática nessa direção, na direção de propor os recursos essenciais. Nesse caminho novas ferramentas começaram a aparecer, e a preencher lacunas para nos aproximarmos mais, aumentam a possibilidade de troca de informação, mas ainda assim nos mantem distantes, já que a conversa é olho no olho, face a face e não tecla a tecla.

Ao escrever na ultima sexta, sobre otimização de custos através do que pulsa nas pessoas, me fez perceber um campo ainda maior de paixão concentrando todos estes olhares num foco de metodologia de trabalho, aceitando testes variações, e levando organizações e coletivos na direção de modelos autogeridos, mais leves e conectado ao que pulsa nestas pessoas.

Sai me sentindo bem, mais equilibrado, mais cuidadoso, muito embora eu saiba que a depender do contexto ou do nível de risco e stress eu não esteja mais no meu ponto de equilíbrio, e o desafio neste momento é voltar-se a este ponto, é estabelecer e firmar um nível de consciência tal que me permita estar presente quando as mazelas dos meus defeitos vier a tona, e eu possa utilizar das melhores ferramentas em mim para utiliza-lo em favor do coletivo e do contexto que eu tiver inserido.

Olhar para o segundo conflito, me voltou uma máxima aprendida na infância com meu pai. A confiança uma vez perdida, jamais volta ao mesmo nível anterior, não com um curto tempo. Olho com cuidado pra essa afirmação, e sim a depender do conflito e do estrago seja impossível retornar ao estado anterior. Eu mesmo tenho alguns conflitos doidos até hoje não resolvidos com algumas pessoas, optamos por esquecer e deixar o tempo curar, e tem sido positivo por enquanto.

Quem faria uma cirurgia onde não existe controle, ou entraria numa avião que não tem controle nos seus equipamentos. A dor é o controle se expandir a tudo, afogando a criatividade onde ele já não é tão necessário e pode ser substituído por algo mais leve, a “Ordem”. O ordenamento das coisas permite uma flexibilidade maior, que novas formas, testes e validações sejam possíveis, e que as ações não sejam limitadas.

Como estamos imersos nessa sociedade do controle, estamos todo o tempo necessitando de aprovação de autorização de alguém que controla. Essa aprovação se expande, e começamos também a aprovar e validar as ações de outros. Isso é positivo por algumas perspectivas, mas acaba de certa forma limitando as ações individuais, e a auto-organização fica mais complexa, ao invés de simples.

Olho para minha situação atual, posso não dormir as 8 horas que preciso, funciono da mesma forma, só que minha capacidade de atenção se altera, tenho um tempo de resposta mais imediato no quesito sobrevivência, é como se quando dormisse pouco minha capacidade de presença diminuísse.

Olho pra todas essas pessoas, para estes líderes da minha jornada, e reconheço o aprendizado com cada um, reconheço a paciência que tiveram comigo nos meus momentos de temperamento difícil. Desde meus pais, professores, amigos e chefes. Olho hoje para o Rafa de anos atras e vejo o tamanho da potência, mas também o tamanho do desafio de domar ou liderar alguém com temperamento tão forte, teimoso e persistente.

Aos poucos o sentimento de frustração, vai sendo substituído por um sentimento de aprendizado e etapa vencida. Parece fácil, mas ai está a melhor chave que utilizo para lidar com as frustrações, consciente de que elas são passageiras, as sinto, sofro, sinto a dor, mas busco logo em seguida tudo que é possível aprender e celebrar da situação para seguir para o próximo passo evitando a paralisia.