• Rafael Urquhart

E se eu não fosse tão pesado comigo mesmo? O que essa leveza poderia agregar no meu tempo presente?

Peso, cobrança, preocupação ou crítica.

A ordem não importa, acredito que não conheço ninguém que nunca tenha se cobrado em demasia. Começa com um "tenho que" seguido de um julgamento ou culpa culminando numa carga negativa as vezes insuportavel.


Normalmente não termina bem, até que o peso se reduz, alguém acaba cuidando de nós, nos convida a olhar por outra perspectiva, a respiração profunda acontece e em um ambiente de leveza conseguimos enxergar alternativas e mudar a rota.


Podem parecer passos simples, mas me pego com frequência nessa autocrítica severa. Tenho uma tendência critica acima da média (julgo eu), de olhar tudo como possível melhora, as vezes negativo em demasia, as vezes duro demais. Por um tempo olhei pra essa criticidade pelo lado negativo, mas é também esse campo de observação severo que me coloca em movimento para mudar, evoluir e propor soluções.


Talvez agora, no contexto da pergunta, me cabe olhar para o quão danoso é comigo mesmo o peso da autocrítica. Neste atual momento estou com um peso nas costas imenso, uma cobrança interna por correção de rota incomum. Os mais próximos com quem tenho tido contato frequente talvez me percebam negativo, pessimista, e não lhes posso tirar a razão.


O pessimismo é resultado duma autocrítica pesada, é um olhar de que não estamos bem, que algo não está bem, o desconforto consigo próprio é o pior desconforto possível, já que só depende de nós mesmos. Essa autodependencia se não cuidada acaba por se tornar negativamente pesada nos afastando de qualquer possibilidade de mudança.


Nesse caminho duro e escuro culminamos para a paralisia, a inoperância, a incapacidade e automutilação de pensamentos. Como dar a volta, como soltar, aceitar, deixar ir, desapegar o peso da cobrança e olhar para as parcelas positivas destes devaneios?


Quando trasmuto da dureza para a leveza, da cobrança para a aceitação algo mágico acontece. Claro que os problemas não se resolvem, mas de alguma forma eles se decompõe em problemas menores com proximidade de solução. É como se olhar a vida leve fizesse com que me fosse mais fácil segmentar os anseios em partes menores e escolher aqueles que já posso resolver, deixando os danosos e pesados de lado a ponto de esquece-los.


Porém existe um risco nesse limear de equilíbrio entre cobrança e aceitação. O desconforto interno é como um alarme que quer mostrar algo. Todo desconforto emite um sinal. Na maioria das vezes não atentamos pra ele e perdemos a oportunidade de mudar, a leveza por mais positiva que seja algumas vezes esconde, oculta ou cria uma curva de desvio do real problema a ser resolvido, e convenhamos isso também não resolve as coisas a longo prazo.


Me pego tentando equilibrar entre o leve, e aquele duro que encara com verdade e mudança um desconforto interno ou conflito consigo mesmo. Ok, a longo prazo um equilíbrio parece mais acertado, mas pensando nos agora, no tempo presente a leveza pode abrir espaço para novos pensamentos, para o cuidado do agora, aproveitando o tempo disponível para quem sabe, de um ponto de clareza e aceitação focar numa direção que cure as dores de uma autocobrança exagerada.


Abrace a leveza, mas não desvie do caminho.


Como transmutar o pessimismo? Cenários ruins existem, mas como usá-los como informação e não direção?


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