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  • Foto do escritorRafael Urquhart

Como escolho ser percebido?

Será que posso escolher? Acho que a pergunta mudaria o foco com uma pontuação diferente.

Como escolho ser? Percebido?

Acredito que eu não possa escolher como serei percebido, acho que não funciona assim. Respeito o marketing, a construção de reputação, todos os estudos presentes neste campo. Talvez uma marca, uma empresa, um negócio possa pautar o desejo de como quer ser percebido. Mas escolher me parece mais distante.

Tenho o olhar que a percepção do outro não depende de mim, não faz parte do meu controle.

Posso desejar, sonhar, expectar a forma que serei percebido, tudo isso expectativa da minha cabeça frente a algo que fiz, mas trago alguns pontos nesse olhar e presença do outro frente a mim.


O outro não tem o contexto completo, tem parte dele.


O outro pode estar em um dia ruim, e muitas coisas terem passado desapercebidas.


O outro pode estar em um dia extraordinário, e o pouco que fiz pode ser supervalorizado.


O outro pode ter crenças diferentes das minhas, e focar naquilo que não combinamos.


O outro pode ter percebido UMA PALAVRA fora de contexto e a percepção se desfez.


O outro não entendeu minha intenção principal.

Algumas idéias somente no aspecto da percepção do outro. Em nenhuma delas tenho domínio ou escolha, seria um exagero eu tentar prever, cuidar e atenuar estes pontos e tantos outros possíveis em uma troca ou relação.

Posso escolher o fazer, o ser.

Posso escolher minhas expectativas, desejos e sonhos.

Posso escolher ter clareza das minhas intenções, propósito e foco.

Posso escolher minha comunicação e cuidado-la ao extremo.

Ainda assim o resultado a ser percebido pelo outro é imprevisível.

Ok, estou negando a pergunta pelo desconforto que ela me provoca. Certa vez escolhi que queria ser percebido como uma das referencias em custos de engenharia a nível Brasil. De verdade, pensei, escrevi e documentei isso como algo que eu gostaria que acontecesse num horizonte de 10 anos. Hoje olho para essa falsa escolha, e a vejo como arrogante e sem sentido. Podia ter escolhido ser um curioso da área de custos, e talvez isso me levasse a tal percepções em algumas pessoas. Talvez ainda eu tivesse criado possibilidades extremas de trabalhar nessas áreas e ser reconhecido pelos trabalhos que entreguei para alguns. Ainda assim seriam todas possibilidades, garantia zero.

Com o tempo venho aprendendo que tenho escolha sobre quem eu sou para mim. Tenho escolha sobre os acordos que faço comigo mesmo. Escolho os valores que pratico, mesmo que sem comunicá-los. Assim estou escolhendo como quero ser, e estou sendo eu mesmo, deixando que o universo perceba o que quiser. Quer seja bom ou ruim.

Prefiro escolher ser, do que escolher parecer ser, mesmo que isso revele todas minhas imperfeições, dores e fraquezas. Isso permite que eu seja percebido diferentemente com cada um que interage comigo, isso conecta muito com meu olhar quando me perguntam quem sou? Depende com quem estou, o que estou fazendo, ou o contexto que me cerca, podendo ser percebido de infinitas formas e estar sendo um aprendiz no padrão de todas elas.

O quão impactante é revisitar histórias sobre você mesmo?




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