• Rafael Urquhart

Como lidar com a realidade?

A realidade é que a semana foi corrida, as prioridades mudaram e só pude escrever na segunda feira e hoje, ficando um hiato de 3 dias sem reflexões, realidade ou escolhas?

Fico me debatendo com a culpa de ter sido vencido pela realidade do tempo e não ter conseguido encaixar um tempo para minhas reflexões, para minha escrita e cuidado comigo. Fico me debatendo com um sentimento de que a realidade é essa, não da pra escrever e publicar todos os dias para todo o sempre. Será mesmo? Fico me perguntando internamente que realidade é essa que eu percebo? Ou qual a proporção ou limitação da realidade que esta a minha frente.

Cada um de nós tem sua realidade, para alguns mais dura que outros, mais pesada, com mais ou menos perdas, com mais ou menos sacrifícios, mas dentro de cada contexto temos uma realidade diferente.

A realidade que percebo é ínfima, perto da realidade da grande maioria, será que é realidade então?

Será que eu descer do cavalo as vezes e ver como é caminhar no piso duro não muda minha percepção de realidade?

Os melhores filmes de batalhas eram aqueles que os lideres desciam dos seus cavalos e iam junto a pé junto com os seus. Mas será que não é importante também subir e ter esse olhar mais sistêmico num contexto maior? E por que quem está num contexto mais micro não consegue perceber o contexto macro? Essas realidades também são cruzadas.

Chego a uma percepção simplória de que não existe realidade. Que essa foi uma palavra que alguém criou pra nos colocar em dicotomia e analise, que serve como ferramenta para no dar um norte e nada mais que isso. Afinal se percebo uma realidade tenho total potência e meios para transformá-la em uma nova realidade, ou ainda avaliar mais perspectivas e criar uma nova versão da visão dessa realidade.

A realidade então se torna manipulável, moldável aos olhos, conhecimentos e percepções de cada um.

Então como nos julgamos uns aos outros pelas não percepções da realidade?

Como nos julgamos por vivermos no mundo das Alices e das maravilhas?

Como nos julgamos ainda de maneira torpe por não buscar soluções ou não encontrar caminhos?

Julgamos a realidade uns dos outros o tempo todo, em todas as direções, e bem na verdade estamos querendo nos convencer de qual é a melhor história contada sobre a realidade de cada um. Os mais expertos e estudiosos trazem na visão sistêmica uma descrição passiva da realidade, já os ditos mais braçais e menos “expertos” trazem uma descrição ativa da realidade, transformando-a dia após dia.

Não tem ninguém certo, ninguém errado. Pelo menos é assim que acredito, também não me sinto mais pobre em percepção ou limitado a conceito. Por vezes me senti hipócrita nos meus julgamentos sobre a realidade alheia, e muito mais culpado ainda sobre a minha própria limitada percepção de realidade.

Maluco? Doido? Sem sentido? Não sei. E é bom não saber, talvez a única certeza seja de que não existe realidade estática, ela é transitória, móvel, mutável, adaptável a todo instante por cada um de nós. E eu sou responsável por tudo que crio e permito na minha vida, por que não me responsabilizar pela minha própria perspectiva de realidade, atuar sobre ela e deixar de perder tempo julgando a realidade alheia?

Talvez assim, depois de domarmos nossas próprias percepções de realidade, possamos sim atuar sobre elas, juntos, criando novas percepções das realidades que nos unem, para que só assim possamos efetivamente criar oportunidades e mais situações disponíveis a que outros possam fazer o mesmo e responsabilizar-se por suas próprias realidades.

Qual a beleza das perguntas lançadas ao coletivo?

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