• Rafael Urquhart

Como não dar feedbacks e falar do coração?

Difícil “não dar” ou “negar”um feedback.

Gostaria que os feedbacks fossem solicitados, isso comunicaria a abertura a recebe-los.

Nem sempre é assim, que bom seria se “dar e receber” percepções adicionais do sistema fossem hábitos comuns, hábitos compartilhados de time.

Mas sempre surge a pergunta mágica. Será que? O outro está aberto e no momento de receber?

Por mais que a minha intenção seja a mais positiva possível, que o canal seja o mais cuidado e perfeito, que minha fala tenha as pausas e a delicadeza de falar de um lugar de cuidado e amor. Ainda assim sempre vai existir a dependência do momento do outro, do momento de receber…

E por mais que eu teste, perguntar se o outro gostaria de receber um feedback, não muda nada… Em 99% das vezes por respeito, faltará acordos e confiança suficiente pra que exista um constrangimento em dizer que não, e negar esse momento de receber.

isso me traz o desafio de não dar mais feedbacks (talvez demore mais tempo para conseguir), fiquei algumas semanas sem escrever. Olhei em 4 ou 5 oportunidades para a pergunta e não tinha contexto para refletir.

Passada essa semana percebi que para tecer acordos, ou refletir sobre possibilidades e formas são necessários 3 aspectos a serem cuidados.

Contexto – Meu contexto, contexto do outro e contexto do sistema que estamos envolvidos. Materializar em escrita, pontuar onde estamos e como estamos, resgatar a serviço de quê, reduzindo o campo de possibilidades, mas também eliminando pontos de fuga, pode apoiar numa conversa difícil, no delimitar de acordos ou facilitar os canais para dar e receber feedback.

Intenção – Ela pode ser positiva, mas precisa ser falada, nomeada, o “Para quê” deve estar claro, a energia que quero que permeia deve estar clara, devo ter a abertura para receber a intenção do outro de igual valor e ainda permitir que juntos consigamos olhar as intenções que nos conectam, que nos aproximam. Isso ajuda a eliminar pensamentos de defesa e ataque do mundo ganha perde, para olharmos para as intenções que permita que os envolvidos (todos eles) evoluam e ganhem com o processo.

Conflito(s) – Tenho brincado seguidamente “que gosto de um conflitinho”, reduzi-lo ao diminutivo tem trazido brincadeira, sarcasmo e leveza misturados. É difícil falar de conflitos, complexo pra todo mundo, não é do nosso hábito. Não é debate, nem confronto, são só conflitinhos. Os conflitos que ja vivemos em outros contextos nos ajudam a cuidar de formas distintas a respeito de algo que não queremos que se suceda. Ao mesmo tempo e sempre esquecido, alguns conflitos geraram movimentos positivos percebidos, extraímos a limonada do limão, utilizamos eles como base positiva no acesso ao conflito. Ao meu ver todo o conflito gera algo positivo, uma mudança, só que na grande maioria das vezes não olhamos para essa positividade.

Esses 3 pilares juntos, criam um contexto no feedback/ diálogo. Permitem acordos não falados no campo que sustentam as intenções no contexto para cuidar dos conflitos e tirar a melhor mudança a partir deles.

Falar do coração é o detalhe que resulta. É como que se num ambiente de confiança, com os acordos certos, cuidando desses 3 pilares o falar do coração é algo natural. Um comunicar a partir do sentir, com espaço aberto no sentir do outro e encontrarmos juntos o melhor resultado possível dessa conversa.

Tenho claridade de que muitas coisas seriam resolvidas, dissolvidas, e uma infinidade de boas soluções e movimentos se espalhariam a todos os lados.

E se o simples não fosse o oposto do complexo e sim apenas sua sofisticação?

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