• Rafael Urquhart

O que acontece nos jogos que perdemos sempre?

Olhei algumas vezes para essa pergunta essa semana e não me senti inspirado ou criativo a refletir sobre ela. Deixei a semana passar pra observar os jogos que perco sempre, inclusive o da procrastinação.

Essa pergunta emergiu depois uma interação com minha filha, enquanto jogávamos xadrez, eu poderia inúmeras vezes ter cedido, e deixado ela ganhar uma, mas insisti na pratica e não no ganhar. Me perguntei algumas vezes se esse era o caminho, só que nesse jogo acordamos, eu e ela antes de todas as partidas, de que o objetivo do jogo não era ganhar do outro, e que sim estávamos jogando para praticar e aprender, que o ganhar ou perder seria uma consequência natural de um jogo ganhar perde, talvez nestes primeiros anos eu ganhasse muitas ou todas as partidas, mas que o com o tempo e a pratica por parte dela, aos poucos as vitórias no final do jogo seriam dela.

Conversamos algumas vezes, e via a frustração dela de não ganhar nenhuma, mas também via em nossas conversas esse foco no aprender e o tamanho da evolução dela, mesmo que a derrota tenha seus desgostos ou destímulos.

Por traz de toda a beleza do aprendizado de raciocínio no tabuleiro de xadrez, ele ainda é um jogo ganha x perde no seu final, mas se mantemos o foco no meio, ele é um ótimo jogo ganha x ganha pelo viés do aprendizado. Bom seria se todos os jogos terminassem empatados, o que é uma possibilidade sempre, mas na grande maioria das vezes acaba por ter um vencedor no final, que normalmente não é o que mais aprendeu naquela partida, já que quem perdeu errou mais e por consequência obteve novas oportunidades de aprendizado.

Reflito sobre o xadrez e trago para a minha realidade, comecei a perceber quais os jogos que jogo, e entro acostumado a perder, e me esqueço muitas vezes sobre o que estou aprendendo, olho pela perspectiva errada no sentido de vitória ou derrota e o aprendizado passa desapercebido. Fico imaginando se celebro esses aprendizados ou se fico preso na angustia de me sentir o perdedor novamente. Me parece que a sociedade gosta de mostrar os vencedores ao final, e também não transparece os aprendizados e as belezas do caminho antes do final do jogo.

Tento não me perder, mas gosto da sensação de que nas maiores derrotas estão os maiores aprendizados, e que bem na verdade o sentido de melhor ou pior é relativo ao ponto que colocamos foco. Posso estar perdendo no fim do jogo, mas deixando de aproveitar todo o valor ou recurso que o meio do jogo me proporciona. Traduzindo pra outras metáforas, posso não ser o campeão mundial de xadrez, mas a velocidade, a prestezas e a persistência na aprendizagem dos movimentos podem ter me trazido habilidades pra me sentir vencedor em outros jogos que ainda não tinha notado.

Qual a relação de derrotas e dinheiro?


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