• Rafael Urquhart

O que fazer quando uma pergunta te desconforta?

Refletir ainda mais…

O desconforto gera aprendizados sempre, não é no conforto que aprendemos, muito menos na segurança do já conhecido. Buscamos a segurança e o conforto, mas é no que nos desconforto que estão os grandes tesouros por traz das perguntas.

Ontem me deparei com uma pergunta sobre reconhecimento, venho há bastante tempo desconfortável com os significados atribuídos a esta palavra. Por um longo tempo eu fiquei desconfortável com o que esta palavra trazia, pois não me sentia reconhecido suficientemente, focava minha raiva na parte relativa a remuneração, que hoje ainda é uma simples valorização do que se pode fazer, e não do que foi feito.

A pergunta que me desconfortou foi “pelo que eu quero ser reconhecido?”. Vejo o reconhecimento como uma necessidade básica humana, e me sinto torto, pois não escolho o pelo que quero ser reconhecido, eu escolho fazer ou não fazer, o reconhecimento é uma consequência fruto da escolha.

Estranho, por que falar sobre isso abrem outras reflexões profundas. Se pensarmos nos contratos e contratações empresarias, o modelo implantado hoje é de que sim, primeiro escolho e proponho uma “remuneração”, coloco em propostas todas as possibilidades do valor que pretendo entregar, atribuo um preço muitas vezes por isso, e de alguma forma inconscientemente estou escolhendo ou condicionando as métricas pelo que quero ser reconhecido.

Olhando assim é uma verdade que escolho pelo que quero ser reconhecido. Será? Nos passos caórdicos existe um momento em que preciso medir resultados, quais resultados um projeto entregará, que resultados quero entregar, os tangíveis e os intangíveis. É neste momento que acontece o impasse, escolho o resultado que quero atingir com a ação, isso não determina o pelo que quero ser reconhecido.

Quais resultados queremos entregar? Por quais resultados escolhemos ter valor atribuído? Qual o padrão dos resultados que entregamos até aqui?

O que fazer?

Refletir e refletir, praticar a reflexão e o questionamento pode nos levar a olhar para o que ainda não foi observado. Já está ali.

No caso desta pergunta que me desconfortou. Minha ação seria gerar uma dezena de perguntas, fiz isso dentro de um limite de que minhas perguntas não gerassem ainda mais desconforto e tirassem o foco da pergunta inicial. Afinal é fácil, muito fácil, se utilizar de outras perguntas para fugir do desconforto ao invés de enfrentar-lo.

Tenho pra mim que não posso escolher ou querer ser reconhecido por algo. Posso sim desejar, sonhar, que o que eu entregue desperte uma série de valores. Posso criar expectativas e a intenção clara de promover algo, um valor, um resultado, uma entrega ou até mesmo uma forma especifica. Infelizmente foge do meu controle o como serei reconhecido. Talvez eu esteja sendo leviano, afinal marcas, logotipos e empresas, criam uma caricatura de si mesmas e investem pesado em como querem ser percebidas, ou melhor, querem parecer tal coisa.

Aqui cabe esse olhar, posso escolher por que valores posso ser percebido, posso intencionar parecer algo. Mas se o nosso foco estiver no ser, no fazer, seria arrogante prever o reconhecimento, ele é natural, humano, imprevisível e pode ocorrer de infinitas formas.

Vejam, que tento sair da reflexão e ela se torna ainda mais profunda, essa é a delicia de perguntar, quando mais desconfortável, mais profundo vamos, gratidão ao Gabriel Haag, Thiago Dal Moro e Alexandre Mattos pela provocação e desconforto.

Como escolho ser percebido?

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Um verbo. Pronto, até aqui concordamos todos. Este é o limite do meu consicente, do pensar, do entender que consigo conectar com qualquer um que me lê, até o meu eu do futuro. O que é? Para quem? De f