• Rafael Urquhart

Para que julgar tudo como pequeno ou grande?

Para se referenciar, se valor, se comparar.

Engraçado que que quando julgo algo externo como grande ou pequeno, me julgo a mim mesmo frente a isso, em algum lugar esse comparar é grande ou pequeno em relação a mim mesmo. Se olho mais fundo quando comparo algo grande ou pequeno em mim mesmo, encontro ainda outras proporções.

Julgo, por que preciso de referencial, preciso de resposta a ação. É como se em algum lugar me é necessário medir tudo e a todos, será mesmo que é necessário?

Por algum motivo a palavra paradoxo me veio a mente, e através dela cheguei ao contraditório. Me sinto neste instante dependente da contradição, para poder pensar de forma binária, é como se tudo que pensamos, agimos e fazemos depende de um contraditório oposto para causar medida ou valor. Do tipo é ou não é, grande ou pequeno, claro ou escuro.

Para saber o que é doce preciso conhecer o amargo ou o salgado. Quando penso em que os opostos se atraem, me vem a pergunta qual o meio termo entre grande e pequeno? Seria o normal, aquilo que não me chama a atenção ou aquilo que está na média aceitável, no padrão no standard.

Volto ao paradoxo, que contrapõe o pensamento normal e confunde por criar um outro normal de pensamento que desqualifica tudo que parte do pensamento anterior.

Se acredito que algo é grande ou pequeno em mim, administro um paradoxo punitivo que confronta a realidade normal. É como se quando faço algo único, novo, meu autoral, preciso compara-lo com algo existente, medir se é mais ou menos com relação ao outro para posicioná-lo.

Em algum lugar estamos nos posicionando uns frente aos outros, grandes ou pequenos, bons ou maus, buscando um encaixe na normal contraditória ao paradoxo da existência. Se somos únicos, por que precisamos nos comparar. Se somos diversos, por que se encaixar em um grupo especifico?

Talvez o raciocínio me leve ao comum e ao incomum. Tudo aquilo que é comum, é só e tão somente comum, passa desapercebido, não chama a atenção, é aceito e pronto. Mas todo o restante, o que percebemos de verdade é o incomum, aquilo que nos chama atenção frente ao comum, como algo do tipo pertence e não pertence. Se é comum pertence, se não é comum não pertence e precisa encontrar o que é comum pra pertencer.

Essa busca por pertencer, essa busca por ser comum, pode enfim se enraizar numa busca eterna de desequilíbrio e não aceitação. Do tipo, não me encontro bem aqui e vou pra outro lugar. Ou sou pequeno aqui e vou pra outro lugar, ou ainda estou grande mais aqui, preciso de mais espaço e vou pra outro lugar.

Percebem que o desconforto ao comum, ou a percepção do incomum nos põe em movimento.

E talvez movimento seja o elo que nos mantem julgando, medindo, contrapondo, conflitando, desconfortando, comparando e referenciando tudo a nossa volta. Percebemos aquilo que somos capazes de ver se movimentando e refletindo a luz. E em nós mesmos, só percebemos aquilo que esta em movimento a partir das nossas ações, se não estamos fazendo não conseguimos perceber o quanto somos capazes de fazer.

Parto então do aceitar o julgamento, entender que as comparações, contradições e paradoxos são importantes para continuarmos em movimento, evoluindo, fazendo, acreditando que por mais únicos que sejamos, só causamos percepção em nós mesmos a partir daquilo que podemos comparar ou referenciar.

Quanto tempo você precisa pra criar?

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