• Rafael Urquhart

Para que registrar os momentos a nossa volta?

Talvez para arquivar memórias positivas. E é automático que junto com elas se acumulam os registros negativos. Me fiz essa pergunta olhando para uma disponibilidade incrível de dados de tudo que nos cerca a todo instante. Os registros, podem se transformar em informações importantes reduzindo a sobrecarga de memória natural.

Venho enfrentando um problema frequente de memória, me esqueço de onde deixei as coisas, chaves e objetos de bolso com mais frequência, deixo em algum lugar e logo me esqueço. Venho resolvendo essas falhas criando hábitos de lugares específicos, para realmente não precisar me lembrar desses detalhes. Isso de alguma forma fez com que eu não guarde na memória onde deixei as coisas, não sei o que começou antes, se a construção do hábito fez isso, ou se a falha de memória propriamente dita.

O que me vem como intenção, seria que se de alguma forma eu registrasse o que aconteceu, poderia voltar, analisar e aprender a corrigir a rota do que aconteceu errado.

Ao mesmo tempo que isso me diverte na possibilidade de ganhar tempo no procurar objetos perdidos, também me remete a um acumulo ainda maior de informações para minha percepção natural. É como se a poluição visual e sonora aumentasse ainda mais. Será que vale a pena?

Fico me recordando dos processos de imersão que vivi nos últimos anos, estar isolado, focado nas pessoas, sem utilização de celular, fazia com que meu cérebro ficasse mais produtivo, com mais energia, mais presente e atento. É como se o tempo passasse de forma diferente. Ao retornar para a avalanche de informações digitais o tempo mudava automaticamente, e a velocidade dos pensamentos também. Não posso dar números ou ciência para isso, simplesmente sinto que ao estar inundado de registros, dados e informações, minha cabeça funciona pior do que quando estou em contato com a natureza e na velocidade natural das coisas.

Olho para a pergunta, e me bate forte o para quê? Qual o fundamento? Qual a motivação para captar ainda mais dados? Registros? Já não bastam fotos, videos e áudios? Nessa dúvida fiquei pensando como se transformam os textos como este, que de alguma forma também estão registrando momentos através da percepção da arte da pergunta. De alguma forma estou registrando a reflexão de momentos que aconteceram a minha volta em texto, mas o detalhe aqui fica que é o registro da reflexão e não só o registro por si mesmo, é como que se eu tivesse armazenando aquilo que é importante, substancial e único. Normalmente positivo.

Sim, fica mais simples agora, olhar para os registros reflexivos do dia a dia. Eles me remetem a qual nível de percepção eu estava avaliando, ampliam contexto e se transformam em combustível de aprendizagem futuro. Afinal se daqui 20 anos eu voltar e ler este texto, o contexto vai ser outro, mas vou ter artifícios suficiente para uma nova reflexão e aprofundamento a partir da pergunta e não da resposta.

Como me sinto quando a insuficiência bate a porta?

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