• Rafael Urquhart

Por que fazemos registros?

Medir, guardar, perceber, aprender e até mesmo acumular.

Quais tipos de registros? Fotos, audios, videos, anotações, diários, agendas, cadernos e também livros.

Existem ainda os tradicionais registros financeiros, contábeis, jurídicos e de propriedade.

Não tinha parado pra pensar na quantidade de registros a minha volta, posso simplificar o olhar para esses rastros que vou deixando por onde passo, inúmeros registros físicos e resgatáveis, mas como também não trazer a tona outros tipos de registros mais sutis.

Registros afetivos, experienciais de gratidão e também de dor. Registros bons e ruins misturados em nossa memória, registros de medos, incapacidades ou inseguranças. Registros de perdas e de ganhos, talvez nesse outro banco de dados chamado memória os registros ficam talvez mais próximos por serem internos mas mais distantes por se tornarem difíceis de se materializar em descrição ou imagem.

Mas por que tantos registros?

No simplificar do olhar do agora, talvez para evoluir e com certeza para aprender. Talvez aquilo que não é registrado não é percebido, e isso nos ajude a dimensionar o tamanho do universo de coisas que não percebemos no dia a dia, a infinidade de registros não feitos e deixados de lado, pela impotência de não serem percebidos.

Então registramos por que percebemos, talvez nos apegamos, talvez queremos mais ou queremos menos, mas o registramos para criar essa referência temporal que pode ser revisitada.

Sou do tipo apegado as coisas e apegado ao passado. Revisito as histórias ruins e boas para colheitas novas observações, significados e aprendizados. Hoje pela manhã acordei preso a uma história dolorida de 7 anos atrás. Nada demais, mas uma história repetida varias vezes na minha cabeça do contexto da saída de uma organização em 2013. O registro é tão poderoso que me peguei observando os padrões que aconteceram lá atrás e começavam a se repetir agora. Por um instante parei, tentei tirar essa lente do passado, para observar o hoje de outras formas, pela insistência desliguei o registro, mas confesso que ele condiciona um pouco das minhas reações do presente. É como aquele ditado “Gato escaldado tem medo de água quente.”

É como se minha arrogância se baseasse unicamente em um registro para predizer o que irá acontecer, eliminando todas as ações propositivas que eu poderia tomar, caso não existisse esse registro.

E se não existissem esses registros, como poderia ser?

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