• Rafael Urquhart

Qual o volume do meu desconforto para mudar o sistema?

Qual o volume do meu desconforto agora?

Como medir o desconforto? Comparar com o que? Com outro desconforto?

Eu posso mudar o sistema? Qual sistema? O sistema de quem?


Perguntar me permite abrir o pulmão, deixar entrar o novo, o que não sei.

Inspirar não é algo pra fora e sim pra dentro.

Talvez eu esteja sufocando, por estar espirando a muito tempo, soltando de dentro para fora, para o outro, para o coletivo para sei lá quem.


A forma que consigo medir "hoje" o meu desconforto é o meu sentimento de incapacidade, quando me sinto limitado, incapaz, insuficiente ao ponto de gritar um pedido de ajuda, talvez esse seja o meu desconforto.


Fica fácil agora, com uma guerra de baixo do nosso nariz, olhar para os desconfortos que ela nos gera. Talvez o desconforto esteja próximo do limite, mas sejamos francos, não esta longe de nós a expulsão de humanos de seus lares, a degradação da dignidade, a destruição em prol de alguém que manda, a fome, a desconexão o distanciamento a mudança.


Agora é um país rico, Europeu, ok. Agora é uma guerra, ok. Talvez uma guerra declarada que gera um medo a todos, mas e as demais guerras? Não valem?


Respiro um pouco desse ar de fora, trazendo aqui pra dentro no meu mundo. No mundo onde não consigo me encaixar, onde de alguma forma estou sobrando, me ejetando de mim mesmo.


Sou sonhador, muito sonhador, acredito nas pessoas, nas histórias e em todas possibilidades até que elas não sejam mais possíveis. Ok já planejei muito, executei bastante coisa, talvez tenha celebrado pouco, mas não posso deixar de olhar para o quanto sonhei.


Sonhar tem me feito mal, me desconfortando a um limite em que me da vontade de chutar o sistema. Pode parecer estranho eu dizer que sonhar esta me desconfortando. Sonhar não custa nada e mesmo assim me desconforta? Como? De alguma forma o sistema precisa me dar liberdade pra sonhar, o sonho precisa ser factível, realizável se não não é válido.


Sonho bom é aquele que todo mundo sonha junto, que faz acontecer, será?


Será que os sonhos não evoluem, se multiplicam, se cruzam, formando novos sonhos?


Talvez, me pego misturando sonhos, com guerra em um contexto de limitação de desconforto para alterar o sistema. Como assim? O que tudo isso tem a ver?


É tudo sobre respirar, talvez os sonhos são o espaço necessário para receber ar puro e novo, talvez a guerra, o conflito (não o bélico), mas o moral seja importante para trazer o desconforto ao ponto de deixarmos soltar, de exalar o que não nos serve, num movimento cíclico de novo respirar.


Olho para metáfora do sistema respiratório que nos mantem vivos, e fico com a sensação de que o sistema não pode e não será mudado, o que nos cabe é respirar, sonhar com novo, deixar ir o que já não nos serve, e quem sabe nesse novo ciclo de respiração entremos em uma cadência, de inspiração e expiração naturais que não seja mais possível sentir o desconforto, ou não e está tudo bem.


Por que ficamos mais fortes quando alguém nos diz que não podemos?





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