• Rafael Urquhart

Quanto tempo tem o tempo?

O tempo…

Espaço, percepção, necessidade, emergência, cuidado, prazer, tristeza, felicidade, olhar…

…Sentir.

Sentir o tempo talvez seja a forma de perceber o tempo do próprio tempo. É fractal, 1 dia, 24 horas, 60 minutos, 60 segundos, milésimos de segundo e dependendo do que esta se observando até menos que isso. Incrível como algo invisível, não táctil, sem cheiro, sem som e sem paladar. Algo que não aguça nenhum dos nossos 5 sentidos, pode através de outros meios físicos ou não nos fazer sentir tudo e o todo ao mesmo tempo.

Se eu buscar qualquer coisa, qualquer criação, qualquer argumentação ou até mesmo objetivação do insconsciente, ainda assim eu teria que me valer do contexto tempo.

Se numa competição coletiva, individual ou consigo mesmo o tempo é uma métrica uma referência. Na vida ele é uma incógnita, afinal quanto tempo de vida? Não sei, não sabemos. Pode acabar amanhã ou durar mais 60 anos. Tentamos controlar esse tempo de todas as formas, antecipar, prolongar, mas de verdade o tempo é algo que não é regido por controle, talvez apenas por ordem.

Sim, o relógio gira o ponteiro, mas a quatro anos temos um dia a mais no calendário, por que até isso não foi possível controlar, tem uma excessão ao padrão. Afinal estamos neste ano com tempo a mais, 1 dia a mais. E o que fazemos com esse dia a mais? Já se perguntou?

Incrível que quando vejo filmes ou histórias sobre pessoas em estado terminal, boa parte delas é confrontada com a possibilidade de ter um dia a mais de vida, com toda sua potência, lhes é perguntado o que faria, ou o que gostaria de fazer? 1 dia quando lhe restam semanas parece imenso, já 1 dia quando lhe sobram 80 anos parece um nada.

Talvez o segundo tempo da pergunta, o que vem logo antes do ponto de interrogação, seja o tempo universal, o tempo medido, o tempo do relógio, mas e o primeiro tempo, aquele que está logo ali depois do quanto? Esse tempo que não da pra medir, que só da pra perceber. O tempo de um sorriso, ou de uma imagem marcante ou ainda daquela memória viva na imaginação ou no passado.

Tentar medir tudo é sempre uma possibilidade, talvez a utopia das utopias. O tempo está ai, toda sua ciência, história, forma existe desde sempre. Se perguntarmos qual a “coisa” que existe desde o sempre, sejamos unânimes em dizer que o tempo existe mesmo antes do universo existir, talvez a luz tenha existido depois do tempo, o sol, tudo, nós como humanos surgimos depois do tempo. Papo de maluco, mas pare “um segundo” para pensar.

Em 2008, enquanto viajava de Santana do Livramento à Santa Maria, sofri um acidente muito forte, o carro que estava dirigindo girou 2 vezes encima da pista e saiu capotando dando 2 ou 3 voltas barranco a baixo. Se eu tivesse um cronometro na mão, talvez 5 ou 7 segundos seria o tempo entre eu avistar o perigo fazendo o primeiro movimento de defesa e o instante em que percebi que estava respirando e vivo. Só 6 segundos. Nestes 6 segundos lembro cada movimento no cambio do carro, as luzes dos caminhões no sentido contrario, o respirar do medo, o carro saindo da pista, e entre as 3 voltas da capotagem uma vida inteira passou na minha mente em menos de 2 segundos. E aí, quanto tempo tem este tempo?

5 segundos ou uma eternidade em memória?

Seria presunção minha definir em uma página quanto tempo tem o tempo. Mas parar, nem que seja por um pequeno tempo, presenciar e observar tudo aquilo que me cerca agora, neste instante. Pode fazer com que essa medida do tempo seja maior, mais viva pelo simples fato da presença e percepção.

E se pudéssemos registrar todos os sentidos a nossa volta a cada milésimo de segundo?

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